Por interesses econômicos, Sarkozy pressionou Fifa a dar Copa para o Catar

Por interesses econômicos, Sarkozy pressionou Fifa a dar Copa para o Catar

Jamil Chade

23 de novembro de 2013 | 08h39

Acusação é do presidente da Fifa, Joseph Blatter, que tenta envolver Platini no complô.

 

 

ROMA – O presidente da Fifa, Joseph Blatter, acusa abertamente os governos da França e da Alemanha de terem pressionado os cartolas da entidade a votar pelo Catar para a Copa de 2022. Sua atitude é uma resposta a uma cobrança cada vez maior contra a Fifa por conta da escolha do país no Golfo Árabe como sede do evento.

“Foi uma pressão política de governos europeus para levar a Copa para o Catar por conta de seus interesses econômicos”, declarou. “Dois desses países – Alemanha e França – fizeram muita pressão sobre as pessoas que votam na Fifa. Isso já foi estabelecido”, disse.

Denúncias da revista FranceFootball indicaram como o voto do francês Michel Platini foi para o Catar depois que o ex-presidente da França, Nicolas Sarkozy, manteve uma reunião com investidores e com as autoridades do Catar. No mesmo pacote estava, por exemplo, a compra do PSG por príncipes árabes.

Platini rejeita a acusação de que seu voto foi usado como instrumento político entre franceses e o Catar e chega a ameaçar processos contra quem faça tal ligação.

Agora, jornais europeus tem alertado como as obras para a Copa tem violado direitos básicos de trabalhadores e até causado mortes. “É fácil dizer que a responsabilidade é da Fifa”, apontou. “Sim, temos responsabilidades e vamos monitorar a situação”, declarou.

 

Mas parte de sua acusação é direcionada a enfraquecer a Platini, seu concorrente para o cargo de presidente da Fifa em 2015. Ontem, Blatter deixou claro que “não tem energias ainda para abandonar” a presidência da entidade.

Em outro ataque a Platini, Blatter também rejeitou a ideia de ampliar a Copa para ter no futuro 40 seleções, uma proposta do ex-jogador francês para ganhar votos pelo mundo.

“A distribuição de lugares na Copa precisa ser revisto”, disse. Hoje, dos 32 times, 23 são das Américas ou Europa.”Mas precisamos manter os 32 times. Temos de garantir a qualidade do jogo. 32 é o máximo que podemos aceitar num Mundial”, completou.