A Europa em 2013

Jamil Chade

31 de dezembro de 2012 | 15h28

O pragmatismo da chanceler alemã Angela Merkel não poupa nem a noite de Reveillon. Em uma mensagem à nação no dia 31, Merkel é clara: 2013 será mais difícil que 2012 e a população precisará de “muita paciência”. Em todo o continente europeu, discursos de final de ano tem sido marcado pela crise, ainda que muitos usam o discurso de fim de ano para prometer novas medidas para criar empregos, criar mais impostos sobre os ricos e voltar a fazer a economia crescer.

2013 será mais um ano de recessão para nove dos 27 países do bloco europeu. No seu melhor estilo, Merkel deixa claro que não há espaço para ilusões. “O contexto econômico realmente não será simplificado no ano que vem, mas irá se complicar ainda mais”, alertará em um pronunciamento na noite de hoje. Pedindo união aos alemães, ela alerta que a situação exigirá uma “disposição ao esforço”. “Precisamos ainda de muita paciência. A crise nem de longe está superada”, adverte.

O chanceler não deixa de preparar o terreno para sua reeleição, em setembro. “As reformas que aprovamos começam a surtir efeito”, indicou, lembrando que a taxa de desemprego é a menor na Alemanha desde a unificação em 1990. Analistas apontam que a economia alemã por pouco não entrará em recessão em 2013.

Merkel ainda mandou um recado à comunidade internacional: “o mundo ainda não aprendeu a lição da crise devastadora de 2008”.

Na Espanha, a população não precisou escutar de seus líderes que o ano será pior para saber o que irá ocorrer. A partir de amanhã, sobem os preços de luz, água e transporte. Milhões de trabalhadores começarão a ver um corte em seus salários vigorar a partir de hoje. A consequência será uma perda real do poder aquisitivo.

2013 ainda promete ser um ano crítico para a unidade territorial espanhola. Hoje, o presidente da região da Catalunha, Artur Mas, usou seu discurso de final de ano para insistir na tese de que chegou a hora de se separar da Espanha. “A maioria dos catalães quer construir um novo país”, disse. “Estamos diante de uma página transcendental de nossa história”, insistiu.

Mas indicou que, separado da Espanha, a Catalunha teria como manter seu estado de bem-estar social. Para o presidente do governo espanhol, Mariano Rajoy, o apelo independentista não passa de uma forma de “distrair a população da crise econômica”.

De fato, 2012 foi um ano agitado pela Europa. O euro sobreviveu. Não sem sérios arranhões e um empobrecimento da população. A Grécia entrará em seu sexto ano de recessão, a Itália passará por eleições e, no Reino Unido, cresce a força daqueles que acreditam que

Mas 2012 também foi o ano do Nobel da Paz para a Europa, o maior projeto de integração já realizado e que conseguiu transformar um continente acostumado com guerras em uma região de paz.

Agora, essa paz social construída nos últimos 60 anos está cobrando seu preço. O que nós no Brasil lutamos nesse momento para começar a receber – um estado do bem-estar social – os europeus estão lutando para não perder.

Que em 2013 lógicas eleitoreiras, projetos pessoais, interesses de banqueiros, visões míopes de curto prazo e soluções pseudo-fáceis não façam com que centenas de horas de debates, milhares de dias de greves de trabalhadores em busca de melhores condições, manifestações de mães de alunos, alertas de médicos e enfermeiras e lutas sociais tenham sido jogadas fora nos últimos 60 anos.

Enfim, Feliz 2013!