Preparação das Olimpíadas no Rio é “pior já vista”, diz vice-presidente do COI

Jamil Chade

29 de abril de 2014 | 07h37

GENEBRA – A preparação dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro de 2016 é a “pior já vista” e o Comitê Olímpico Internacional está sendo obrigado a tomar “medidas sem precedentes” para salvar o evento. Quem faz o alerta é o vice-presidente do COI, John Coates, em uma conferência na Austrália.

Ele traçou um cenário de caos generalizado no Rio e insistiu que ninguém entre os organizadores brasileiros atualmente sequer conseguem dar respostas às perguntas feitas pelo COI. Não se sabe nem mesmo quanto tempo um atleta levaria de um local a outro.

“Ninguém está sendo capaz de dar respostas neste momento”, disse. “Eles podem usar estacionamentos na vila para centros de recuperação? Quanto tempo levará de uma instalação esportiva a outra?”.

Há duas semanas, o COI promoveu uma intervenção no evento no Rio. “O COI criou uma força especial para tentar acelerar os preparativos, mas no local a situação é crítica”, disse o australiano que há 40 anos está envolvido no movimento olímpico. “(A preparação) é a pior que já vi”, disse.

Coates já esteve no Rio em seis ocasiões para vistoriar os trabalhos e insiste que a decisão da entidade foi a de intervir antes que fosse tarde. “O COI adotou um papel mais ativo, algo sem precedentes para o COI”, disse. Ele descartou a possibilidade de que a entidade deixe o Rio de Janeiro. “Não há plano B. Vamos ao Rio”, insistiu. “Temos de fazer acontecer”.

“É a pior preparação que eu já vivi”, disse. “Ficamos muito preocupados. Eles não estão prontos em muitos e muitos aspectos”, insistiu.

Coates chegou a alertar que a situação é mais grave que a da preparação dos Jogos de Atenas de 2004, uma experiência que o COI sempre citou como um exemplo negativo entre as cidades que receberam os Jogos. “Acredito que a situação é pior que em Atenas”, admitiu.

“Em Atenas tínhamos que lidar com um governo e algumas responsabilidades municipais. No Rio, existem três esferas de governo”, apontou.

Coates deixou claro que suas críticas são direcionadas ao governo. “Existe pouca coordenação entre os governos federal, o estadual e o municipal, que é responsável por grande parte das obras”, disse. “E isto em uma cidade que tem problemas sociais que devem ser abordados. Um país que também está tentando preparar a Copa do Mundo”, completou.

O COI nomeou um interventor para acompanhar as obras no Rio, Gilbert Felli, e outros dirigentes chegaram a alertar que o evento era o pior em termos de organização em 20 anos. Mas o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, e o Comitê Olímpico Brasileiro insistem que o cronograma das obras está “em dia”.

Paes ainda tentou justificar que a pressão ocorria por conta dos interesses de federações esportivas individuais, como a do tênis, e que pediam “coisas absurdas”. Agora, é o próprio COI que ataca o Rio.

Obras – Coates tem uma avaliação radicalmente diferente de Paes. Segundo ele, algumas das obras sequer começaram e os planos de infra-estruturas estão atrasados. O australiano ainda lembra que a cidade tem “problemas sociais que precisam ser lidados”.

O dirigente apontou que o Rio tem o mesmo número de funcionários que Londres para preparar os Jogos, cerca de 600. Mas a diferença é que faltaria experiência aos responsáveis. Outro ponto destacado pelo australiano é que o Rio conta com apenas dois funcionários no departamento que se ocupa dos eventos testes, que deveriam começar neste ano.

 

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