Primeiro-ministro da Itália se recusa a falar sobre Pizzolato

Jamil Chade

25 de novembro de 2013 | 09h55

Enrico Letta se recusou em duas ocasiões a dar uma resposta ao Estado sobre o assunto do mensalão

 

ROMA – O primeiro-ministro da Itália, Enrico Letta, se recusa a falar sobre o caso de Henrique Pizzolato,o diretor do Banco do Brasil e condenado no caso do mensalão a doze anos de prisão. No último fim de semana, seu advogado revelou que seu cliente havia fugido para a Itália há quase dois meses. O governo italiano teme que o caso acabe contaminando as relações entre os dois países.

Na manhã de hoje, em Roma, Letta se recusou em duas ocasiões a dar uma resposta sobre o posicionamento de seu governo sobre o caso. O Estado o questionou durante uma conferência de imprensa na sede do governo sobre o que pensava do caso da fuga do ex-diretor do BB. Letta ignorou a pergunta.

Ao terminar o evento, a reportagem voltou a questiona-lo. Com um semblante fechado, o primeiro-ministro apenas indicou com a mão de que não falaria sobre o assunto e rapidamente deixou a sala de imprensa, sem se pronunciar.

O governo italiano já havia indicado na semana passado que Pizzolato era “um homem livre” no país, já que não havia uma condenação contra ele na Itália e que, por enquanto, não há um pedido de extradição por parte do Brasil. Nos bastidores, o governo deu ordens a todos os ministérios a manter um silêncio total sobre o tema.

Letta, na semana passada, ainda deu um sinal verde para que seu governo ratifique um tratado que estava paralisado com o Brasil desde 2008 e que permite que italianos condenados no Brasil possam cumprir pena na Itália. O tratado abriria caminho para que Pizzolato eventualmente cumprisse uma pena de prisão na Itália por seus crimes cometidos no Brasil.