Prostitutas se preparam para a Copa com novas cirurgias

Jamil Chade

29 Maio 2013 | 15h28

Ongs denunciam situação na ONU, alertando que essas mulheres estão se endividando e sendo exploradas

 

GENEBRA – Na preparação para receber milhares de turistas estrangeiros, aumenta de forma preocupante o número de cirurgias plásticas por parte de prostitutas que querem estar também em suas melhores condições para lucrar com o evento. O problema é que, para pagar por essas operações de aplicação de silicone e outras iniciativas, essas mulheres estão sendo obrigadas a trabalhar de dez a doze horas por dia para quitar suas dívidas, e nas piores condições.

A exploração no mercado da prostituição é uma das denúncias que foi feita ontem pelas ongs brasileiras nos debates na ONU, em Genebra. As entidades se reuniram para lançar um apelo para que o governo estabeleça planos para remediar violações de direitos humanos, como no campo de moradia.

Segundo o informe apresentado, as obras da Copa ameaçam desalojar 258 mil brasileiros nas doze cidades do Mundial.

Mas outra dimensão da denúncia se refere à exploração sexual. “Muitas mulheres que trabalham no mercado da prostituição agora estão endividadas e estão sendo exploradas para justamente pagar pelas protesis que colocaram”, indicou Larissa Araujo, representante da Articulação Nacional para os Comitês Populares da Copa.

A ong não tinha números dos casos citados. Mas indicou que pesquisas feitas em locais próximos a estádios com prostitutas revelam que estão com sérios problemas financeiros por conta de operações que realizaram ou que plenajam fazer. O temor das entidades é de que muitas delas não estejam passando por cirurgias por livre e espontânea vontade, mas sim forçadas por agentes.

Muitas delas estão saindo de seus estados e indo até as grandes cidades, como São Paulo e mesmo capitais no Nordeste, para fazer as operações. “Não existe um plano nacional para proteger essas mulheres, como a Europa fez durante os Jogos Olímpicos de 2012 em Londres”, apontou a ativista.

A Secretaria de Direitos Humanos do governo federal iniciou uma ação para mapear os locais em estradas que poderiam ser centros de exploração sexual e para que haja uma espécie de campanha de prevenção. Mas as ongs apontam que, até agora, pouco foi feito.