Revelações sobre a relação entre Aung San Suu Kyi e a Seleção Brasileira

Revelações sobre a relação entre Aung San Suu Kyi e a Seleção Brasileira

Jamil Chade

13 de junho de 2012 | 20h20

Que a censura é burra, todos sabemos. Frei Beto conta a história de como livro sobre o cubismo eram confiscados no Brasil durante a Ditadura, sob a alegação de ligações da tendência artística com Cuba. Mas um episódio que me foi relatado na ONU me parecia difícil de acreditar, até que hoje recebi uma cópia de um telegrama da Secretaria de Estado norte-americano confirmando o absurdo.

Consta que, em Burma – atual Mianmar –, o controle sobre a imprensa é total. Tudo é fiscalizado antes de ser publicado, principalmente se tem alguma relação com Aung San Suu Kyi, que hoje desembarcou aqui em Genebra para sua primeira visita à Europa em 24 anos.

Um episódio, porém, é de fazer qualquer pessoa pensar. O jornalista Saw Lin Aung, do jornal Flower News de Mianmar revelou a diplomatas americanos como uma matéria sua de capa havia sido vetada pelos observadores do governo. O motivo: a foto na capa era da seleção brasileira de futebol, com seu uniforme reconhecido em qualquer parte do planeta.

O problema, segundo a censura, é que o amarelo também é a cor que a população associa com Aung San Suu Kyi, líder histórica da resistência contra o regime dos generais e que por mais de 20 anos cumpriu prisão domiciliar. Portanto, publicar na capa uma matéria e foto da seleção, teoricamente, seria uma forma de promover a ativista. O episódio, que já era comentado na ONU de uma maneira informal, faz parte de um telegrama secreto da diplomacia americana, publicado por Wikileaks.

Hoje, a ativista começa sua turnê pela Europa. Governos e milhares de pessoas estarão acompanhando o que ela tem a dizer ao mundo. Sorte, para o editor do Flower News, que o Brasil não joga esta semana. Há, no máximo, um Corinthians e Santos hoje.