Rússia congela preço até de lavanderia durante Olimpíada para evitar abusos

Jamil Chade

18 de outubro de 2013 | 06h11

Moscou anuncia congelamento de preços por 5 meses para garantir que torcedor esteja em Sochi

GENEBRA – Contra a potencial explosão da inflação e abusos durante um dos maiores eventos esportivos do mundo, o governo da Rússia anuncia o congelamento dos preços até de lavanderias e do pão nos meses que antecedem os Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi.

A partir do dia 1 de novembro, preços de passagens aéreas, bilhetes de trem e mesmo do ônibus da cidade não poderão ser modificados. A medida será válida por cinco meses e meio. O evento está marcado para ocorrer entre fevereiro e março de 2014 no balneário do Mar Negro e que, por desejo de Vladimir Putin, se transformou em um destino de inverno.

O decreto anunciado pelo governo de Moscou vai aos mínimos detalhes e estabelece até mesmo o congelamento de preços para serviços de lavanderia e outros em Sochi.

Já as passagens aéreas estarão com preços fixos entre 1 de novembro e 16 de abril de 2014, incluindo os bilhetes da Aeroflot. Dentro de Sochi, nenhuma tarifa de transporte público pode mudar entre 7 de janeiro de 2014 e 16 de abril.

O temor do governo russo é de que o mesmo cenário que marcou a Eurocopa na Ucrânia em 2012 se repita na cidade de Sochi. Em Kiev, centenas de ingressos para os jogos não foram vendidos diante da recusa de torcedores de pagar preços considerados como exorbitantes por hotel e transporte.

Na época, o presidente da Uefa, Michel Platini, admitiu o erro em não se controlar preços. Mas alertou que não seria a Uefa quem faria isso. “É de interesse do país tomar medidas de controle”, declarou. “Mas não podemos fazer nada se não querem entender”, disse.

No caso brasileiro, torcedores europeus já se deram conta de que ir à Copa de 2014 será um peso para suas economias. Muitos já planejam acampar nas cidades-sede do Mundial para fugir dos preços de hotéis. Ontem, depois de sete anos de preparação, o governo anunciou a criação de um grupo para controlar preços na Copa.

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