Sistema de saúde pública no Brasil não é “Padrão Fifa”, diz…a Fifa

Jamil Chade

30 de junho de 2014 | 10h20

Rio  – O sistema de saúde pública no Brasil não é “Padrão Fifa”. Isso nós todos já sabíamos. Mas agora quem diz isso é a própria entidade mundial do futebol que, para a Copa do Mundo, registrou 27 hospitais pelo País para atender cartolas, árbitros e jogadores. Mas nenhum deles é da rede pública.

A lista foi produzida depois de uma visita por parte de técnicos da Fifa a diversos hospitais em cada uma das doze sedes para identificar e registrar cada instituição que poderia atender à “família do futebol”.

Em São Paulo, os escolhidos foram o Sírio-Libanês, Einstein e o Santa Catarina. No Rio, a lista é composta pelos hospitais Samaritano e Pasteur. Nem na capital, Brasília, a opção foi por usar hospitais públicos. Os escolhidos são as instituições privadas Home e Hospital Brasília.

A rede de hospitais da Unimed também entrou na lista da Fifa, com quatro centros em cidades como Fortaleza, Manaus e Natal.

Ao Estado, representantes do corpo médico da entidade explicaram que chegaram a tentar escolher algum hospital público. Mas que os locais visitados não atendiam às “exigências mínimas” da entidade máxima do futebol.

Médicos de alguns desses hospitais receberam recomendações das instituições para estar de “prontidão” para atender a “Família Fifa” a qualquer momento. Michael D`Hooge, chefe do Comitê Médico da Fifa, afirmou que não foi a entidade que tomou sozinha a decisão. “Nós escutamos médicos do Comitê Organizador Local”, explicou ao Estado.

Em 2013, durante a Copa das Confederações, parte dos manifestantes exigiam “hospitais Padrão Fifa”, em uma crítica aos gastos com os estádios. Apesar de ser a Copa mais cara da história, as obras representam apenas uma fração do que se gasta em saúde no Brasil.

Ainda assim, a Fifa se recusou a mandar qualquer um de seus dirigentes para um hospital público brasileiro.

Exemplo – Na África do Sul em 2010, a Fifa havia fechado um acordo para registrar alguns hospitais públicos, justificando assim que o governo ampliasse investimentos à rede de saúde. Em cada cidade sede, a Fifa e o governo optaram por um hospital privado e um público.

Ainda assim, os problemas não foram poucos. Um dos problemas ocorreu por conta da exigência da Fifa de que cada hospital credenciado mantivesse um certo número de leitos sempre vazios, em caso de serem acionados.

O então ministro da Saúde sul-africano, Aaron Motsoaledi, admitiu na época que cada hospital colocaria camas à disposição da Fifa de forma permanente durante o mês da Copa.

Em Londres, em 2012, os participantes dos Jogos Olímpicos eram direcionados a hospitais públicos da cidade.