Sorteio da Copa: um evento repleto de histórias, mitos e acusações

Sorteio da Copa: um evento repleto de histórias, mitos e acusações

Jamil Chade

06 de dezembro de 2013 | 09h27

 

GENEBRA – Imaginem se José Maria Marin ou outro cartola aparecesse hoje no palco da Fifa com seu netinho para que ele realizasse o sorteio da Copa do Mundo de 2014. Pois bem, foi exatamente isso que João Havelange fez em 1978 antes da Copa do Mundo na Argentina, levando ao palco Ricardinho, seu neto. (Não, não se trata de Ricardo Teixeira).

Na verdade, Havelange apenas estava repetindo o gesto que, em 1938, Jules Rimet inaugurou. No sorteio para aquela Copa, o então manda-chuva do futebol levou ao palco Yves, seu neto, para fazer o sorteio.

Repleto de histórias, acusações e saias-justas, o sorteio da Copa foi sempre permeado por debates. Nesta semana, a revista da Fifa trouxe alguns deles e revelou que, em 1930 no primeiro Mundial, o sorteio ocorreu três dias antes da Copa e com as seleções já em Montevidéu. O primeiro real sorteio ocorreria em 1938.

Em 1950, no Brasil, a ausência de algumas seleções atrapalhou o sorteio. Mas houve quem se beneficiou: o Uruguai acabou ficando no grupo 4, sozinho com a Bolívia, já que os demais times de seu grupo optaram por não viajar ao Brasil. A própria Fifa hoje se pergunta: um programa mais leve para a Celeste teria facilitado a vida do Uruguai para ganhar o Mundial?

Em 1966, na Inglaterra, o sorteio começaria a ganhar ares de um evento de proporções internacionais, com transmissão ao vivo. Em 1974, uma enorme sala-justa marcou o sorteio: no auge da Guerra Fria, a Alemanha Ocidental enfrentaria a Alemanha Oriental no mesmo grupo.

Sophia Loren, em 1990, contribuiria para aumentar a polêmica em relação ao sorteio. Ela não disfarçava sua alegria ao sortear para enfrentar a sua Itália os times da Tchecoeslováquia, EUA e Austria, num grupo considerado como fácil para os donos da casa. A acusação no dia seguinte foi de que ela estava com um anel magnetizado e que atrairia as “bolas corretas”.

Em 2006, mais uma polêmica, desta vez na Alemanha, Lothar Mattheus foi acusado de ter sido orientado a procurar as bolas frias que haviam sido colocadas num congelador antes do evento para garantir um grupo mais fraco para o time da casa.

Desta vez, a polêmica já começou antes do evento em si, quando a Fifa montou um esquema que acabou colocando Suíça e Bélgica como cabeças de chave, permitindo assim a criação de verdadeiros grupos da morte. Outra polêmica foi criada quando rumores surgiram de que a Fifa ou os organizadores teriam vetados atores negros para comandar o show de hoje. A Fifa negou.

Nesta tarde na Bahia, histórias não faltarão.

 

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