Suíça aceita revelar contas de Menem, acusado de corrupção

Jamil Chade

01 de novembro de 2012 | 18h53

A Justiça suíça autoriza a abertura das contas ex-presidente Carlos Menem para a Justiça da Argentina, aceitando as acusações que pesam contra ele por ter acumulado uma fortuna graças a propinas pagas por multinacionais para ganhar contratos e licitações de obras no país. Os advogados de Menem ainda poderão apelar da decisão ao Supremo Tribunal Federal da Suíça.

As informações foram relevadas pelo jornalista Juan Gasparini, e confirmadas pela Justiça. Para os juizes de Genebra, as provas entregues por Buenos Aires os convenceram de que Menem participou ativamente de acordos de suborno que chegavam a US$ 25 milhões e recebeu propinas da empresa empresa francesa Thales em um contrato de obras públicas em 1997. Na licitação, a empresa concorreu sozinha. Menem permaneceu como presidente de 1989 a 1999.

O dinheiro estaria depositado no banco UBS de Genebra e vinha sendo solicitado pela Justiça argentina desde 2010. Menem teria fechado as contas em 2004, retirando cerca de US$ 1,5 milhão e levado a outro paraíso fiscal. Em 2004, o então presidente Néstor Kirchner anulou o contrato com a empresa. Outros envolvidos no mesmo escândalo já foram julgados e condenados.

Os suíços também confirmam que contas envolvendo o ex-prefeito Paulo Maluf continuam bloqueadas no país, esperando que o Brasil envie provas que confirmem o desvio de recursos públicos pelo político brasileiro.

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