UE trai promessas a Dilma e votará por México para direção da OMC

Jamil Chade

06 de maio de 2013 | 15h32

Traindo promessas feitas à presidente Dilma Rousseff, líderes europeus optam por dar seu voto ao candidato mexicano Hermínio Blanco para a direção da Organização Mundial do Comércio e embolam a corrida. Ainda assim, o Itamaraty insiste que os votos obtidos pelo Brasil seriam suficientes para garantir uma vitória do candidato brasileiro, Roberto Azevedo.

Amanhã, a OMC conclui seu processo de escolha e anunciará o nome do vencedor, em uma corrida que contou com nove candidatos e se transformou em uma questão de estado para muitos governos.

Um dos últimos a tomar a decisão de quem apoiaria foi a União Europeia. O bloco decidiu votar de forma conjunta em um nome comum. Na prática, isso significa que 28 votos dos 159 da entidade seriam dados de forma coesa.

Por semanas, o Brasil tentou nfluenciar os europeus, com Dilma recebendo garantias até mesmo do presidente da França, François Hollande, de que Paris apoiaria Azevedo. Portugal chegou a colocar um comunicado de imprensa para anunciar o apoio ao Brasil.

Na tarde de hoje em Bruxelas, porém, os países europeus se reuniram para tomar uma decisão sobre quem recebia seu voto na final. Numa primeira rodada de votações, Blanco saiu com 15, contra 12 de Azevedo.

Países que não queriam o mexicano insistiram que uma nova votação deveria ocorrer. O acordo foi de que o pleito seria refeito. Mas, desta vez, o resultado que saísse deveria ser respeitado por todos. Por algumas horas, manobras intensas ocorreram nos bastidores para tentar reverter a situação.

Mas, quando a votação ocorreu uma vez mais, o resultado saiu idêntico: 15 x 12 para os mexicanos.

A UE, assim, decidiu dar todos seus votos a Blanco, frustrando a indicação que o Itamaraty tinha de que ficaria com pelo menos parte dos votos.

Apesar de ser um duro golpe, a decisão da Europa não significa o fim da campanha do brasileiro, que tem ampla maioria entre os países emergentes. O problema é que, pelas regras da OMC, o candidato escolhido deve ter o apoio de todas as regiões.

Azevedo chega ao último dia com forte apoio na África, Ásia, América Latina e Oriente Médio. Mas sem o apoio dos EUA e da Europa, as duas maiores economias do mundo.

 

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