Unesco alerta que EI ameaça o “berço da civilização”

Jamil Chade

22 de maio de 2015 | 06h13

GENEBRA – A Unesco alerta para a tomada da cidade de Palmyra, na Síria, pelo Exército Islâmico e adverte que é um dos “berços da civilização humana” que está hoje ameaçado. Irina Bokova, a chefe da entidade da ONU, apontou que uma eventual destruição do sítio arqueológico representaria uma “enorme perda para a humanidade” e fez um apelo para que uma ação internacional seja conduzida para evitar a destruição do que é conhecido como a “pérola do Oriente Médio”.

Na quinta-feira, o EI anunciou a captura da cidade, com vídeos de partes do local e até da prisão de Tadmur, onde sérias violações aos direitos humanos ocorreram nos últimos anos pelo regime de Bashar Al Assad. Mas, nos vídeos, nenhuma imagem foi revelada dos sítios arqueológicos.

A Unesco, porém, teme que o grupo repita o que já fez em outras regiões da Síria ou Iraque. Depois de controlar a cidade e seus habitantes, o passo seguinte tem sido o de chocar o mundo com imagens da destruição de verdadeiros tesouros da humanidade. “Esse é um local que pertence à toda a humanidade e acho que todos deveriam estar preocupados com o que vai ocorrer”, disse Bokova. O EI tem destruído parte desses tesouros, alegando que são heresias contra sua visão do Islã e contra a ideia de um califato.

Com 2 mil anos, Palmyra guarda explicações e é uma das testemunhas da expansão do Império Romano e seu encontro com outras culturas. Para justificar a destruição, o EI usa o exemplo de como Maomé pediu a destruição dos antigos mitos e heróis de Meca.

Mas a destruição não é a única estratégia dos extremistas. Em muitos locais, o que tem se registrado é a pilhagem de bens culturais para vender no mercado negro e, assim, financiar a guerra. Hoje, um terço dos 12 mil sitios arqueologicos do Siria e Iraque está em suas mãos do EI e a inteligência americana estima que o grupo comercializa uma parte substancial do tráfico de bens culturais desses locais, avaliado em US$ 100 milhões.

Vítimas – Mas não é apenas as ruinas que estão ameaçadas. O Observatório Sírio de Direitos Humanos estima que cerca de 65 mil pessoas ainda estão presos dentro da cidade, com o governo não dando qualquer opção para resgatar parte da população. Hoje pela manhã, 23 pessoas teriam sido executadas e imagens já circulam com cabeças de moradores pelas ruas de Palmyra. Nove deles seriam crianças cujos país trabalham na administração pública e eram vistos como colaboradores.