Valcke e sua ligação com Teixeira

Valcke e sua ligação com Teixeira

Jamil Chade

04 de junho de 2012 | 07h33

 

A ligação entre Jerome Valcke, secretário-geral da Fifa, e Ricardo Teixeira, ex-homem forte do futebol brasileiro, não era segredo para ninguém. Mas em um recente perfil publicado pelo jornal Le Monde na semana passada, a reportagem revela como o francês era levado em um helicóptero até uma mansão de Teixeira para passar fins de semana, inclusive na companhia de Sandro Rossell, atual presidente do Barcelona e na época representante da Nike.

Sobre seu ex-amigo, Valcke garante que não tem mais informação desde que Teixeira deixou a CBF e se mudou para Miami. Mas garante que não se arrepende da “proximidade com ele”. “Nem todas as pessoas com as quais eu estive eram perfeitas. Isso faz parte da vida”, completou.

A relação com Teixeira, porém, promete causar certa turbulência para Valcke ainda, tanto no Brasil quanto na Fifa. Na entidade em Zurique, mesmo altos funcionários que gerenciam a imagem da entidade, acreditam que parte dos problemas enfrentados por Valcke no Brasil está relacionado com sua amizade com Teixeira. A relação entre Rossell e Teixeira tem sido alvo de investigações no Brasil.

No mundo do futebol, cresce também a percepção de que Valcke teria ambições que vão além do cargo de administrador da Copa. Tanto na imprensa francesa quanto nos corredores da Fifa, ganha força os comentários de que Valcke poderia estar já planejando uma candidatura para presidir a Fifa a partir de 2015. Ele insiste em negar. Mas ironicamente suas palavras parecem não fazer efeito.

A Fifa passa por eleições em três anos e muitos consideram que será o momento de mudança de geração na cartolagem mundial. Até agora, os candidatos se limitavam ao francês Michel Platini, presidente da Uefa, e o ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira. O brasileiro está fora da corrida. Mas os rumores mostram que Platini não terá um percurso tranquilo.

Há duas semanas, no Congresso anual da Fifa em Budapeste, dirigentes da entidade confessaram a um grupo de jornalistas que a ideia de uma candidatura de Valcke ganhava força. Dias depois, o prestigioso jornal francês Le Monde levanta a mesma perspectiva, num artigo que gerou amplos comentários no mundo esportivo.

Valcke é hoje quem de fato comanda a Fifa, deixando Joseph Blatter como uma espécie de monarca. O “primeiro-ministro” do futebol mundial é também quem organiza a Copa de 2014, mesmo com a tentativa de o Brasil de o afastar depois que ele sugeriu que o País merecia um “chute no traseiro” pelos atrasos no Mundial.

Apesar de ter dado um prejuizo de US$ 90 milhões à Fifa por criar polêmica entre a Visa e MasterCard, Valcke transformou a Fifa nos últimos anos em uma máquina de fazer dinheiro. Ele não esconde seu orgulho: “Desde 2007, eu aumentei a receita da Fifa em 60%”, disse ao Le Monde. Ele vem com outro trunfo: conseguiu realizar uma Copa lucrativa para a entidade na África do Sul, um verdadeiro desafio. O Brasil, em 2014, será seu teste final.

Ao jornal francês, ele deixa claro. “Não sou candidato”. Mas a reportagem deixa claro também que Valcke “só pensa em suceder seu atual chefe” e que “se prepara para entrar numa guerra total contra Plaini”. Valcke, ao jornal, confessou que está convencido de que artigos publicados contra ele foram instigados por Platini. “Sim, com Michel (Platini), as coisas não vão tão bem. Ele pensa que há uma rivalidade de minha parte”, admite.

Por enquanto, o que não está claro é quem Blatter apoiará. Platini foi por anos seu protegido. Mas Valcke o garantiu sua fortuna.

 

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