Motivação

Estadão

04 de setembro de 2009 | 16h34

Como já havia mencionado no outro post, nós, novos alunos, estamos na semana de Orientação aqui no MIT. Dentre visitas a Boston, museus, festas, sorvetes feitos com nitrogênio líquido, trufas feitas com nitrogênio líquido (eu fico pensando se os alunos realmente têm acesso ao N2 à vontade), jogos diversos, “free food”, divulgação das Learning Communities e provas, o que mais me chamou atenção foi a aula inaugural que tivemos.

Em um dos prédios mais conhecidos do MIT, o Kresge Auditorium, que é exatamente 1/8 de uma esfera, grande parte dos aproximadamente mil novos alunos se sentaram para escutar o professor John Ochsendorf, ganhador, em 2008, do Prêmio MacArthur, popularmente chamado “genius grant” pelo seu trabalho em engenharia civil, arqueologia e história da arquiterura (sim, tudo isso pode ser interligado). É realmente difícil não ficar intimidado pelo calibre da “faculty” daqui do MIT: 12 dos professores ganharam o Prêmio Nobel em suas áreas de atuação e 21 ganharam o Prêmio MacArthur, de acordo com o site do MIT. Alem disso, diversos professores também têm companhias que lidam com desenvolvimento de tecnologias ou trabalham/trabalharam em projetos realmente importantes, como o Projeto Genoma. Na verdade, o líder do Projeto Genoma, Eric Lander, é professor em Introdução à Biologia, matéria que a maioria dos alunos do MIT faz (é possível perceber que aqui no MIT os professores e pesquisadores são muito acessíveis aos alunos, mas isso é um assunto que merece outro post).


Kresge Auditorium

O professor Ochsendorf explicou como o estudo de construções antigas, como por exemplo a Basílica de São Franciso de Assis, na Itália, que começou a ser construída em 1228 ou as pontes incas feitas de grama ainda se mantêm de pé e como seu design e geometria podem ser aplicados atualmente para produzir construções ecologicamente corretas. Além disso, estudar prédios antigos é extremamente importante para a preservação da cultura, economia das cidades que os abrigam e das diversas obras de arte contidas neles.


Ponte inca feita de grama

Mas o que foi realmente interessantes nessa aula foi o conselho principal que o professor deu aos novos alunos: “have fun”, ele disse (creio que ele se referiu a uma diversão acadêmica…). Nas palavras dele, ele só conseguiu achar aquilo que realmente gosta e trabalhar com isso porque ele explorou aquilo que achava divertido. Como é possível encontrar uma conexão entre os assuntos pelos quais ele se interessava? No ensino médio, suas matérias favoritas provavelmente eram física, matemática, história e artes e ele possivelmente se encontrava na mesma situação que milhares que jovens brasileiros se encontram agora, totalmente indecisos. Mas, felizmente, aqui no MIT e na maioria das universidades americanas é muito fácil explorar todos os seus interesses e até talvez criar um nicho de conhecimento, como o professor Ochsendorf criou, moldando o seu curso, ou seja, escolhendo fazer as matérias que parecem divertidas! É muito importante não se limitar a apenas uma área do conhecimento ou só a uma matéria, porque, afinal, aproveitar o MIT é se divertir muito procurando aquilo que você realmente gosta, seja em que área for.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.