Ex-amante de Omar Mateen diz que massacre foi vingança

Ex-amante de Omar Mateen diz que massacre foi vingança

Lourival Sant’Anna

22 Junho 2016 | 16h06

Um hispânico que afirma ter sido amante de Omar Mateen garante que o autor do massacre na boate gay em Orlando, que deixou 49 mortos e 53 feridos no dia 26, agiu por vingança contra os porto-riquenhos, e não por terrorismo. Falando em espanhol, usando um disfarce e o pseudônimo “Miguel”, o homem deu uma entrevista ao canal latino Univisión, baseado na Flórida. O FBI confirmou que já o ouviu.

De acordo com o homem, que diz ter sido “amigo com benefícios” de Mateen durante dois meses, ele lhe contou que havia mantido relações sexuais com dois porto-riquenhos ao mesmo tempo sem usar preservativos, e que um deles lhe confessou logo depois que era portador do vírus da aids. Mateen teria conhecido os dois na boate Pulse, cenário do massacre. Além disso, segundo “Miguel”, Mateen, que era “muito doce”, sentia-se “usado” pelos latinos com os quais se relacionava na boate Pulse. “Ele odiava os gays porto-riquenhos por todas essas coisas ruins que lhe fizeram.”

“Miguel” contou ter conhecido Mateen no site de relacionamentos Grindr, e que seu primeiro encontro foi no bar Parliament. Depois disso, mantiveram encontros entre 15 e 20 vezes no Hotel Ambassador, em Orlando (Flórida).

Uma recepcionista do hotel confirmou à Univisión que o rosto de Mateen lhe era familiar e que “Miguel” se hospedou durante 63 dias no Ambassador, entre outubro e dezembro de 2015.

O entrevistado acredita que a segunda mulher de Mateen, Salman, sabia que ele era “100% gay”, e o casal mantinha um relacionamento de fachada. Salman levou Mateen à boate Pulse na noite do massacre. Depois de abrir fogo dentro da boate e antes de ser morto pela polícia, Mateen perguntou para Salman sobre a repercussão do atentado. Ela lhe escreveu: “Eu te amo”.

Sobre o islamismo, Mateen o teria descrito como “uma religião linda, em que todos são bem-vindos: gays, trans, bissexuais, héteros…”

“Miguel” disse ter ficado muito surpreso ao saber do massacre, já que Mateen era “adorável” e “doce”, e gostava de ser acariciado.

Frequentadores da boate disseram que Mateen os procurou por meio do site de relacionamentos Jack’d, e que ele era frequentador da Pulse.

Depois do massacre, Mateen ligou para o telefone de emergências 911 e declarou ter agido em nome do Estado Islâmico, que mais tarde reivindicou a ação.

 

“Miguel”, com disfarce, em entrevista à Univisión
Foto: Reprodução de vídeo da Univisión

Leia também:

Atirador frequentava boate e site gay, sofreu bullying e festejou o 11 de setembro