Consequências de Mossul

Consequências de Mossul

Lourival Sant’Anna

23 de outubro de 2016 | 12h17

Peshmergas na trincheira mais avançada dos curdos na linha de frente do combate com o Estado Islâmico, 40 km ao norte de Erbil, capital do Curdistão iraquiano, em agosto de 2014 Foto: Lourival Sant'Anna/Estadão

Peshmergas na trincheira mais avançada dos curdos na linha de frente do combate com o Estado Islâmico, 40 km ao norte de Erbil, capital do Curdistão iraquiano, em agosto de 2014
Foto: Lourival Sant’Anna/Estadão

Em agosto de 2014, eu cobria os combates entre os guerrilheiros curdos e o Estado Islâmico. Numa noite, eu voltava da linha de frente com o meu guia, o jornalista iraquiano Khalid Al-Ansary, e o nosso motorista curdo, que tinha um parente peshmerga, para quem ligava frequentemente, para saber a posição do EI. A linha do conflito, naquele momento, era móvel. Pegamos a estrada que liga Mossul a Erbil, para voltar para a capital curda. Com o tempo, notamos que a estrada tinha ficado totalmente deserta – não cruzávamos mais os veículos dos peshmergas. Até que apareceu uma placa indicando Mossul para a frente. Estávamos indo na direção errada, para a “capital do califado”. O motorista deu meia volta bruscamente, e acelerou no sentido contrário. “Não queremos jantar com o EI”, brincou Khalid. “Até porque, nós seremos o jantar”, completei. No domingo, os peshmergas pegaram essa mesma estrada, com a missão de ir até o fim dela, para retomar Mossul.

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