Coronel que ameaçou STF e Rosa Weber ‘representa meia dúzia de oficiais’, diz seu colega de turma

Coronel que ameaçou STF e Rosa Weber ‘representa meia dúzia de oficiais’, diz seu colega de turma

Lourival Sant'Anna

24 de outubro de 2018 | 19h37

O coronel Carlos Alves, no vídeo do YouTube

O coronel Carlos Alves, que ameaçou em vídeo o Supremo Tribunal Federal (STF) e a presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Rosa Weber, “não representa nem uma minoria de uma minoria do Exército, mas um grupo  formado por meia dúzia de militares, se tanto.” Foi o que me disse um coronel, também da reserva, da turma de Alves. “Eu o conheço desde o meu primeiro dia no Exército”, contou o coronel, que assim como Alves tem cerca de 60 anos e está na reserva. “Ele é meu amigo do coração.”

O coronel, que falou sob a condição de não ser identificado, continuou: “De um ano para cá ele se desajustou. Algum problema talvez psicológico, alguma questão na vida dele. Não sei o que foi. Está todo mundo perplexo com as atitudes dele”.

Os dois coronéis não se vêem há algum tempo. Minha fonte não conhece o coronel James, citado por Alves no vídeo. “Aparentemente são pessoas deslumbradas com a possibilidade de aparecer nas redes sociais”, considera o coronel. “Os militares repudiam hostilizar o STF e fazer esse tipo de campanha política, e não entendem por que ele está divulgando esse tipo de vídeos.”

O comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, pediu ao Ministério Público Militar que investigue o vídeo em que Carlos Alves ameaça o STF e chama Rosa Weber, que também é ministra da Suprema Corte, de “salafrária”, “corrupta” e “incompetente”.

O coronel me disse que ele e outros oficiais superiores com quem conversou acham que Carlos Alves “não cometeu crime militar, porque não falou em nome das Forças Armadas”, e que seu caso talvez seja considerado “transgressão disciplinar”, passível de punição, que pode chegar a prisão, porém apenas administrativa.

“Achamos que o que pode mais prosperar seria a acusação de crimes na Justiça comum, porque ele está incitando à violência, fazendo ameaças e atacando a honra das pessoas”, opinou o coronel. De acordo com o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, a Polícia Federal instaurou inquérito para apurar as ameaças de Alves.

De maneira geral, não há ambiente favorável nas Forças Armadas para uma intervenção militar, como defendem alguns manifestantes. Como escrevi na minha coluna publicada dia 7/10 no Estadão, eles tolerariam até mesmo um eventual indulto do ex-presidente Lula, se o candidato do PT, Fernando Haddad, se elegesse presidente. A “linha vermelha”, para eles, seria uma ingerência de um eventual governo do PT na doutrina e nas promoções das Forças Armadas, como ocorreu na Venezuela.

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