Corrupção é sempre como desviar dinheiro do empréstimo consignado

Corrupção é sempre como desviar dinheiro do empréstimo consignado

Lourival Sant’Anna

23 Junho 2016 | 21h44

Passei o dia inteiro tentando digerir a informação de que existem pessoas capazes de montar um esquema para, ao longo de vários anos, desviar sistematicamente dinheiro do empréstimo consignado de funcionários. É um chute no estômago. Quantos desses funcionários fizeram esses empréstimos para comprar remédios para seus pais, cobrir as despesas de um tratamento inesperado, ajudar um parente em apuros? Só no fim do dia um pensamento — bastante óbvio — me ocorreu: corrupção é sempre isso. É sempre desviar o dinheiro que emprestamos ao Estado para ele investi-lo da forma mais justa e eficiente possível, para prover segurança, educação, saúde e saneamento, melhorar a infra-estrutura, regular o ambiente de negócios para que o país gere mais riquezas, enfim, no fim de qualquer ação do poder público deveria estar sempre o mesmo: melhorar a vida de todos, mas principalmente de quem mais precisa. O principal motivo pelo qual o Brasil é pobre e injusto, pelo qual alguém precisa fazer um empréstimo para comprar remédios é, no fim das contas, o mesmo: porque quem chega ao poder considera natural assaltar o Estado. Ou isso muda ou teremos que nos mudar daqui. Como diria Renato Russo, “nos deram espelhos, e vimos o mundo doente”.

 

O ex-ministro do Planejamento Paulo Bernardo Foto: André Dusek/Estadão

O ex-ministro do Planejamento Paulo Bernardo
Foto: André Dusek/Estadão