FBI investiga hackers ligados ao Kremlin no vazamento de emails

FBI investiga hackers ligados ao Kremlin no vazamento de emails

Lourival Sant’Anna

25 Julho 2016 | 16h23

Hillary Clinton espera para entrar no palco e discursar na convenção do Partido Democrata, em  Charlotte, Carolina do Norte.  Foto: Justin Sullivan/Getty Images/AFP

Hillary Clinton espera para entrar no palco e discursar na convenção do Partido Democrata, em Charlotte, Carolina do Norte.
Foto: Justin Sullivan/Getty Images/AFP

O FBI está investigando o possível envolvimento de hackers que trabalham para o governo russo no vazamento dos emails da direção do Partido Democrata. Os emails, vazados pelo site WikiLeaks no fim de semana, mostram uma conspiração da direção do partido para favorecer Hillary Clinton na disputa com Bernie Sanders pela candidatura democrata à presidência. O vazamento, no início da convenção democrata, levou à renúncia da presidente do partido, Debbie Wasserman Schultz, e a uma crise na campanha. Ela reforça a imagem de Hillary e de seu marido, o ex-presidente Bill Clinton, de políticos que manipulam o partido em seu favor e burlam regras. Parte da alta rejeição de Hillary no eleitorado, perto de 50%, deve-se a isso. 

A suspeita recai sobre hackers que já invadiram sites da Casa Branca, do Departamento de Estado e de outros órgãos do governo americano, segundo fontes do FBI citadas pela CNN. Eles foram identificados pelo tipo de vírus usado na invasão dos emails do partido. 

A revelação compromete as relações entre os Estados Unidos e a Rússia, no presente e no mandato do(a) futuro(a) presidente americano(a).  O candidato republicano, Donald Trump, tem falado de sua admiração pelo presidente russo, Vladimir Putin, como um líder que defende os interesses de seu país. Trump também disse, em entrevista ao jornal The New York Times, que só defenderia os aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) contra uma eventual agressão russa se eles pagassem aos Estados Unidos pelo custo de sua proteção.

Em contrapartida, tanto a ex-secretária de Estado e candidata a presidente Hillary Clinton quanto o presidente Barack Obama mantêm uma posição dura com relação a Putin. Estados Unidos e Rússia têm interesses opostos em uma série de questões mundiais. As mais agudas são a Ucrânia e a Síria. A suspeita de mais essa invasão com apoio do governo russo tende a azedar as relações entre os dois governos. Seria mais um golpe de Putin abaixo da cintura, se comprovado. Não que os serviços secretos não usem operações de inteligência e contra-inteligência na briga de cachorro grande entre as potências. Mas raramente o resultado vem à tona, como no vazamento de 20 mil emails pelo WikiLeaks, que não informou a fonte do material. A controvérsia remete a Edward Snowden, o ex-funcionário da Agência de Segurança Nacional, que continua exilado na Rússia, depois de ter revelado, em 2013, as invasões de privacidade por parte do serviço secreto americano.

Ironicamente, Snowden apresentou no dia 21 um aparelho que detecta sinais de rádio indesejáveis e pode evitar que iPhones em modo avião revelem sua localização. O dispositivo foi desenvolvido por Snowden em parceria com o hacker Andrew “Bunnie” Huang. Eles o apresentaram em uma videoconferência no MIT. O aparelho será útil, segundo Snowden, para jornalistas que não queiram ter sua localização detectada por espiões. Em 2013, quando estava foragido em Hong Kong, Snowden orientou os jornalistas Glenn Greenwald, que mora no Rio, e Laura Poitras, de Nova York, a retirar as baterias de seus celulares e guardá-las na geladeira, para driblar a provável vigilância de que eram alvo.