Hillary tenta explicar frase dita em palestra ao Banco Itaú

Hillary tenta explicar frase dita em palestra ao Banco Itaú

Lourival Sant’Anna

20 de outubro de 2016 | 10h50

 

Frequentadores de um bar na Cidade do México assistem ao debate YURI CORTEZ / AFP

Frequentadores de um bar na Cidade do México assistem ao debate
Foto: Yuri Cortez / AFP

O trecho de uma palestra dada ao Banco Itaú por Hillary Clinton em maio de 2013, e vazado recentemente pelo site Wikileaks, foi tema do terceiro e último debate presidencial, na noite desta quarta-feira. O mediador do debate, o âncora Chris Wallace, cobrou de Hillary a defesa de “fronteiras abertas” que ela teria feito na palestra. Donald Trump se regozijou, confirmando que sua oponente queria abrir as fronteiras para a entrada de pessoas que ninguém sabe quem é, para terroristas, etc. Hillary explicou que estava falando de energia.

No trecho da palestra, transcrito em um email de John Podesta, ex-assessor de Hillary no Departamento de Estado e atual chefe de sua campanha, que junto com milhares de outros foi publicado pelo Wikileaks, Hillary diz: “Meu sonho é um mercado comum hemisférico, com comércio aberto e fronteiras abertas, em algum momento no futuro com energia que seja tão verde e sustentável quanto possamos conseguir, impulsionando o crescimento e a oportunidade para todas as pessoas no hemisfério”. A palavra “hemisfério”, aqui, refere-se às Américas. Ela havia deixado o cargo de secretária de Estado quatro meses antes.

No debate, Hillary, que aparentemente estava preparada para a pergunta, justificou, sem hesitar: “Eu estava falando sobre energia. Você sabe, comercializamos mais energia com nossos vizinhos do que  com o resto do mundo somado. E quero que tenhamos uma rede elétrica, um sistema de energia que atravesse fronteiras. Acho que será um grande benefício para nós”.

O trecho da palestra vazado, no entanto, é no mínimo ambíguo. É possível ao menos argumentar que ela não falava apenas de energia, mas de comércio e de trânsito de pessoas.

Trump aproveitou: “Não temos um país se não temos fronteira. Hillary quer dar anistia. Ela quer ter fronteiras abertas”.

A questão toca em dois pontos que explicam parte do apoio angariado por Trump: a imigração e o comércio, que muitos de seus eleitores consideram serem as causas da queda da qualidade de seus empregos, com o deslocamento das indústrias para outros países, e do terrorismo.

No debate, Hillary voltou a dizer que faria correções nos acordos de livre comércio, e que não permitiria a entrada de imigrantes sem que seus históricos sejam examinados, mas que não é coerente com os Estados Unidos impedir a entrada de mulheres e crianças, como o menino sírio flagrado depois de ser resgatado, em uma foto que rodou o mundo. Trump, por sua vez, prometeu anular o Tratado de Livre Comércio da América do Norte (Nafta), “assinado pelo marido dela” (o ex-presidente Bill Clinton) e expulsar os imigrantes sem documentos.

Hillary objetou que os 11 milhões de “indocumentados” têm 4 milhões de filhos nascidos nos EUA, e que sua expulsão separaria as famílias. E acusou Trump de ter empregado imigrantes ilegais.