Regime iraniano sente urgência de reagir para não se desmoralizar

Lourival Sant'Anna

03 de janeiro de 2020 | 09h03

O ataque americano que matou em Bagdá o general Qasem Soleimani, comandante da Força Quds, unidade de elite da Guarda Revolucionária iraniana, demonstrou a capacidade dos Estados Unidos de atingir o coração do regime. Isso, num momento em que ele já está fragilizado, pelas sanções econômicas americanas, que corroeram o poder de compra dos iranianos, e causam enorme descontentamento, expresso nas corajosas manifestações contra o regime no ano passado.

O êxito da operação americana expõe a vulnerabilidade de uma força que é a elite da elite, já que a Guarda Revolucionária é a unidade mais bem treinada e equipada das Forças Armadas iranianas. Diretamente subordinada ao líder espiritual, Ali Khamenei, a Guarda Revolucionária é responsável não só por proteger o país de seus inimigos externos, mas, principalmente, por proteger o regime da população insatisfeita.

Iranianos protestam em Teerã contra ataque americano em Bagdá
Foto: ATTA KENARE / AFP

Por tudo isso, o regime terá de responder de forma rápida e contundente, se não quiser se ver desmoralizado e ainda mais fragilizado internamente. Khamenei declarou que “uma vingança dura aguarda os criminosos” responsáveis pelo ataque.

As forças especiais iranianas têm demonstrado capacidade de agir com eficácia, por exemplo com o ataque de setembro do ano passado contra a principal refinaria e campo de petróleo sauditas, com a derrubada de um drone americano e ataques a petroleiros no Golfo Pérsico.

A proximidade das eleições americanas torna o cenário ainda mais volátil: o presidente Donald Trump também não aceitará uma ação iraniana que o desmoralize. Tudo aponta para uma escalada no conflito.

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