Pela 1ª vez, muçulmanos são maior grupo de refugiados nos EUA

Lourival Sant’Anna

19 Agosto 2016 | 16h03

O número de refugiados muçulmanos foi o maior entre todos os que entraram nos Estados Unidos até agora neste ano fiscal (iniciado em 1.º de outubro). Foram 28.957 muçulmanos, que representam 46% do total de 63 mil aceitos no país. Em segundo lugar, estão os cristãos, que até agora foram 27.556, ou 44%. É a primeira vez que o número de muçulmanos supera o de cristãos desde que a filiação religiosa dos refugiados começou a ser divulgada, em 2002.
O candidato republicano à presidência, Donald Trump, defende proibir a entrada dos muçulmanos nos Estados Unidos.
Dois países foram a origem de mais da metade dos muçulmanos: 8.511 vieram da Síria e 7.234, da Somália. Os restantes vieram do Iraque (6.071), Mianmar, antiga Birmânia (2.554), Afeganistão (1.948) e outros países (2.639).
Mais de 2.500 são budistas e 1.500, hinduístas. Apenas 338 declararam ser ateus ou não ter religião.
Em número de refugiados, independentemente da religião, o país de origem mais numeroso foi Mianmar, de onde vieram 10.464 pessoas, seguido de perto pela República Democrática do Congo (10.417), Síria (8.569) e Iraque (7.479).
Depois de mais de cinco décadas de ditadura militar, um governo civil assumiu o poder em Mianmar no dia 30 de março. O presidente, Htin Kyaw, é leal à líder pró-democracia Aung San Suu Kyi, Prêmio Nobel da Paz, que foi impedida de concorrer. A República Democrática do Congo é assolada desde 2012 por uma guerra civil entre grupos étnicos e milícias, que cometem atrocidades contra a população.
O governo Barack Obama estabeleceu um teto de 85 mil refugiados a serem aceitos neste ano fiscal, que termina no dia 30 de setembro.
Os números são resultado de uma análise do Centro de Pesquisas Pew, sobre os dados do Centro de Processamento de Refugiados do Departamento de Estado americano.