“Um dia, você vai ouvir falar de mim”, disse tunisiano antes do massacre

“Um dia, você vai ouvir falar de mim”, disse tunisiano antes do massacre

Lourival Sant'Anna

15 de julho de 2016 | 12h22

Mohamed Lahouaiej Bouhlel bebia com um conhecido na tarde de quinta-feira. Os dois começaram a discutir, e o homem lhe disse: “Você não vale nada”. Ao que Bouhlel respondeu: “Um dia, você vai ouvir falar de mim”. Na mesma noite, todos ouviram falar do motorista de 31 anos, nascido na Tunísia, separado, pai de três filhos, e que morava sozinho em um apartamento na periferia leste de Nice. Bouhlel percorreu 2 km do Passeio dos Ingleses, atropelando e disparando contra centenas de pessoas que celebravam o 14 de Julho, a Queda da Bastilha, antes de ser morto a tiros por agentes da Brigada Especializada de Terreno (BST).

O relato sobre o episódio no bar foi feito à revista L’Express por Wissam, um vizinho de Bouhlel, que disse ser originário do mesmo vilarejo que o autor do massacre: Msaken, no nordeste da Tunísia. “Ele bebia e fumava haxixe”, assegurou Wissam. Outros vizinhos confirmaram que Bouhlel não parecia ser um homem religioso, e que andava frequentemente de bermudas. Ele não constava da Lista S, que inclui cerca de 10 mil “radicalizados” que podem vir a cometer atentados terroristas, segundo o Diretório Geral de Segurança Interna (DGSI).

De acordo com o jornal Nice Matin, Bouhlel era cidadão apenas tunisiano, e não franco-tunisiano, como se noticiou inicialmente. O canal de TV iTélé informou que em março ele foi condenado a seis meses de prisão por causa de uma briga depois de um acidente de carro, mas obteve liberdade condicional. Bouhlel teve outras passagens na polícia por violência, incluindo a mão armada. Na cabine do caminhão que ele usou no ataque havia uma granada com defeito e armas de brinquedo.

Bouhlel trabalhava com um pequeno caminhão de entregas, que mantinha estacionado perto do prédio. Seus vizinhos o descreveram como um homem solitário e silencioso, que não respondia aos cumprimentos dos outros e nunca recebia visitas. Hannan, um dos vizinhos, disse que cruzava todos os dias com ele de bicicleta. “Ele me olhava estranhamente. Ele nos encarava e nos evitava.”

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Retrato de Mohamed Lahouaiej Bouhlel, em ficha da polícia de Nice

Retrato de Mohamed Lahouaiej Bouhlel, em ficha da polícia de Nice

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