Vacinas mais avançadas usam tecnologias inéditas

Vacinas mais avançadas usam tecnologias inéditas

Lourival Sant'Anna

18 de novembro de 2020 | 14h14

Placa convida voluntários para testar a vacina da Moderna em Hollywood, Florida. 18/8/20
LEILA MACOR / AFP

O convênio BioNTech/Pfizer apresentou nesta quarta-feira resultados ampliados da fase 3 em escala global, que elevam a eficácia de sua vacina contra Covid-19 de 90% para 95%. Os novos resultados envolvem mais de 43 mil voluntários. Desses, 170 contraíram o coronavírus, sendo que 162 receberam placebo, informaram os laboratórios. Apenas 8 dos que receberam as duas doses da vacina desenvolveram a doença e um ficou em estado grave. Nove voluntários do grupo placebo também desenvolveram a forma severa de Covid-19.

A alemã BioNTech e a americana Pfizer devem pedir “nos próximos dias” aprovação de emergência para o uso da vacina na FDA e na EMA, as agências reguladoras de medicamentos dos Estados Unidos e da Europa, respectivamente.

Na fase 3 da vacina do laboratório americano Moderna, cujos primeiros resultados foram divulgados na segunda-feira, a eficácia chegou a 94,5%. Nenhum participante que recebeu a vacina desenvolveu a forma grave da doença. Onze participantes no grupo placebo tiveram sintomas graves. A vacina da Moderna teve quase a mesma eficácia entre voluntários com mais de 65 anos. Esse grupo não costuma responder tão bem à imunização e é mais suscetível a desenvolver a doença.

É nesse ponto que a tecnologia usada por essas duas vacinas traz vantagens em relação à da Sinovac, por exemplo. O laboratório chinês usa um método mais tradicional, o do vírus inativado. A vacina potencialmente tem alta eficácia para a maioria da população, mas pode causar um agravamento da doença entre os idosos.

Além disso, o desenvolvimento da vacina é mais lento do que pelas novas  tecnologias: a do mensageiro RNA, usada pela BioNTech/Pfizer e pela Moderna, e a da recombinante de adenovírus morto, empregada pela também chinesa Sinopharm/Instituto de Virologia de Wuhan, pelo instituto russo Gamaleya, que está produzindo a Sputnik V, pela anglo-sueca AstraZeneca/Universidade de Oxford e pela americana Johnson & Johnson’s.

A vacina da Sinopharm deve ser aprovada este mês ou mês que vem. Já está sendo usada em caráter de emergência em chineses que voltam do exterior, e foi testada em 56 mil voluntários em outros países.

O objetivo de toda vacina é provocar uma reação no organismo de modo que ele “aprenda” a se proteger do vírus. Mas há diferentes estratégias.

O adenovírus também causa doença respiratória. Para usá-lo na vacina, é retirado dele o gene responsável pela reprodução. São inseridas nele proteínas do Cov-Sars-2 (o vírus da Covid-19). Ele causa uma reação do sistema imunológico que protege contra o Sars-Cov-2. Essa tecnologia vem sendo desenvolvida há três décadas. Mas a vacina contra o coronavírus é considerada seu grande teste.

O mensageiro RNA (mRNA) usa uma parte da proteína do coronavírus. Ela dá instruções para o sistema imunológico sobre como responder ao coronavírus. Como o RNA pode ser editado, ela pode ser atualizada com as mutações do vírus. Essa tecnologia já foi usada pelo BioNTech em pesquisas para a cura do câncer. É a primeira vez que se aplica a uma vacina.

A pandemia do coronavírus incentivou um salto espetacular na indústria da vacina, que trará grandes benefícios de longo prazo.

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