Adeus, Bob Brookmeyer. Alô, Bob Brookmeyer.

Lúcia Guimarães

16 de dezembro de 2011 | 23h52

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Bob Brookmeyer (Foto Artists Share – Divulgação)

Bob Brookmeyer morreu no Estado de New Hampshire , pouco antes de fazer 82 anos.

Ele foi  um dos grandes compositores e pensadores do jazz  nos últimos 50 anos, contemporâneo de Gerry Mulligan e Stan Getz. Se a notícia não lhe faz saltar da cadeira e se lançar ao encalço da discografia do músico, vale lembrar que Brookmeyer vivia escondido em New Hampshire, de onde saía para gravar e dar aula no New England Conservatory of Music.  Pergunte a qualquer instrumentista ou compositor e seu nome desperta a admiração rara reservada a um músico que serviu de bússola criativa para gerações de jazzistas.  Há poucos dias, Brookmeyer lançou  Standards, um cd de clássicos americanos, com vocais da holandesa Fay Claassen.

A seguir, os depoimentos de dois amigos de Brookmeyer – o crítico Terry Teachout e, em vídeo, sua herdeira musical, Maria Schneider.

Felizmente, a discografia de Bob Brookmeyer é farta para o público reparar o atraso e dizer alô a um dos maiores compositores do jazz período pós-bebop. E, como diz o critico Terry Teachout , “He didn’t give a shit”  para ficar na moda, no circuito do jazz nova-iorquino. Mas, como sói acontecer quando há uma defasagem entre o sucesso e  mérito, águas hão de rolar sob a ponte da história musical.

Tive a sorte de  testemunhar  uma das últimas apariçõe ao vivo de  Bob Brookmeyer no clube Village Vanguard, há cinco anos. A plateia eufórica saudou a banda – a maioria músicos escandinavos que pagaram a própria passagem pelo privilégio de aparecer no concerto do trombonista e mentor. Terry Teachout estava lá. O crítico de teatro do Wall Street Journal é um ex-músico e observador íntimo da cena do jazz nova-iorquino.

“Como tantos grandes artistas,” diz Teachout,  “ele era uma alma dividida, capaz de criar os  momentos musicais mais líricos e de afastar as pessoas. Mas ele foi um grande mestres,” diz Teachout.”Poucos músicos de sua geração se engajaram nos desafios da composicão do jazz como ele. Brookmeyer não escrevia melodias para improvisação, ele criava grandes estruturas. Era um swing quase agressivo. E não devemos esquecer que ele contribuiu muito para a reputação de Gerry Mulligan. Primeiro, ao substituir Chet Baker no grupo de Mulligan. Depois , ao se tornar o diretor musical da banda.”

Terry Teachout diz que o jazz de  Brookmeyer pode ser ouvido na obra de muitos ex-alunos mas ninguém leva adiante suas ideias musicais como a compositora e maestrina Maria Schneider.

 

 

 

 

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