Breviário – Estado de Nova York processa Trump e três filhos
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Breviário – Estado de Nova York processa Trump e três filhos

Lúcia Guimarães

14 Junho 2018 | 14h20

Donald Trump e Donald Jr – David Paul Morris/BLOOMBERG

Fundação Trump não passava de talão de cheques para a família, acusa promotora.

O que A promotora estadual de NY anunciou, nesta quinta-feira, uma ação civil contra o presidente americano e seus três filhos mais velhos, Donald Jr, Ivanka e Eric, por “persistente conduta ilegal” na operação da Fundação Trump. A ação acusa a família Trump de usar a organização sem fins lucrativos para decorar clubes de golfe de suas empresas, pagar credores e ajudar a campanha presidencial de 2016 com doações seletivas. “A fundação não era mais do que um talão de cheques para pagamentos do Sr. Trump ou seus negócios a outras ONG’s, não importava o propósito ou a legalidade,” afirmou a promotora Barbara Underwood.

Reação O presidente Trump reagiu imediatamente com dois tuítes, acusando o promotor estadual anterior, Eric Schneiderman, de “sujo” e dizendo que não vai fazer acordo fora do tribunal, numa possível referência à hoje extinta Trump University. A “universidade”, que não passava de um programa de seminários sobre negócios imobiliários, foi objeto de uma ação de classe de ex-estudantes por fraude e Trump pagou US$ 25 milhões para encerrar o processo, em abril passado. Eric Schneiderman, o promotor estadual eleito em Nova York, renunciou em desgraça no dia 7 de maio, acusado de agressões sexuais contra duas ex-namoradas. Trump inventou que Schneiderman dirigia a campanha de Hillary Clinton em Nova York, o que não é verdade. Ele é um democrata que apoiou a candidatura Clinton. A fundação Trump reagiu em seguida com uma nota afirmando que a ação é puramente motivada por política. A nota afirma que a fundação doou mais do que recebeu em fundos e já tinha decidido se dissolver há um ano e meio e a acusa a promotoria estadual de manter o resto do dinheiro em caixa, US$ 1.7 milhões, “reféns” do processo.

Eric e Ivanka Trump – Brendan McDermid/REUTERS

Civil X Criminal? A ação movida hoje pela veterana promotora que substituiu Schneiderman e já avisou que não vai tentar se eleger para o cargo em novembro, é civil, o que não envolve pena de prisão. Barbara Underwood pede que o presidente pague pelo menos US$ 2.8 milhões em restituições e multas. Quer que Donald Trump seja proibido de dirigir qualquer fundação por dez anos, e pede também que Donald Jr, Ivanka e Eric Trump fiquem afastados de fundações por um ano. Mas Underwood revelou que enviou cartas à Comissão Federal de Eleições e ao Internal Revenue Service, o leão americano, para avaliação de possíveis violações de financiamento de campanha e de leis de imposto de renda. Se irregularidades forem determinadas, elas poderiam ser enquadradas na categoria de crime federal.

Pintura em bar A investigação em Nova York foi provocada por reportagens do jornal Washington Post que, ao se debruçar sobre a fundação do então candidato, descobriu a compra de uma pintura, um retrato de Donald Trump por US$ 10 mil. O repórter David Fahrenthold, ganhador do Prêmio Pulitzer de 2017 por investigar a filantropia da família Trump, começou a procurar o quadro e pediu ajuda pelo Twitter. Um âncora da rede latina Univision foi ao resort de golfe Trump International Doral Miami e descobriu o retrato pendurado num bar de esportes do resort. Enrique Acevedo fez uma foto e postou no Twitter, escrevendo, “Êi, Fahrenthold, acabo de checar, o retrato ainda está pendurado no Champions Lounge. Quanto você disse que ele custou à Fundação Trump?”