Breviário – G8, G7, G6?

Breviário – G8, G7, G6?

Lúcia Guimarães

08 Junho 2018 | 18h54

Grupo do G7 posa em Charlevoix (Cortesia – governo do Canadá)

O que: Ao embarcar para o encontro do G7 no Canadá, o presidente Donald Trump descobriu, na sexta-feira, mais uma forma de antagonizar os outros seis aliados dos EUA. Sem ser indagado, disse aos repórteres: “A Rússia devia estar neste encontro. Por que estamos tendo um encontro sem a Rússia? É o que recomendo, depende deles.”

Como G8 virou G7: Um mês depois da invasão da Ucrânia e anexação da Crimeia, em fevereiro de 2014, os outros sete membros decidiram pela expulsão.

Resposta a jato: Numa reunião logo após a chegada, o francês Emmanuel Macron, a britânica Theresa May, a alemã Angela Merkel e o italiano Giuseppe Conte disseram que a posição europeia continua a mesma. Um porta-voz da chanceler canadense Crystia Freeland, que tem ascendência ucraniana, confirmou: “Nada mudou na nossa posição.” Giuseppe Conte já tinha defendido a reaproximação com a Rússia. A Liga, um dos dois partidos da coalizão populista de ultradireita que levou Conte ao poder tem um acordo formal de cooperação com o Rússia Unida, Partido de Vladimir Putin.

G6? Como disse uma veterana comentarista política de Washington, Trump embarcou no curto voo para Quebec City com a expressão de quem ia fazer um tratamento de canal. O presidente francês Macron já tinha mandado o recado pelo Twitter: “O presidente americano pode não se importar em ficar isolado, mas nós também não nos importamos em assinar um acordo entre seis países, se necessário. Porque estes seis países representam valores, eles representam um mercado econômico que tem o peso da história atrás de si e é agora uma verdadeira força internacional.

Mano a mano: Vladimir Putin pediu ao novo primeiro-ministro austríaco Sebastian Kurz, para ser o anfitrião de um encontro com Donald Trump na Áustria, em julho. O Partido da Liberdade, da coalizão de ultradireita que instalou Kurz no poder, também tem pacto de cooperação com o Rússia Unida.

Doeu mais: A jornalista Julia Ioffe, americana que nasceu na Rússia e tem boas fontes em Moscou, garante: a expulsão do G8 perturbou Putin mais do que as sanções impostas pela Europa e os EUA.

Aspas: Um assessor do premiê canadense Justin Trudeau disse à revista New Yorker que o presidente americano foi tropeçando em direção a uma guerra “de pelo menos quatro fronts,” numa referência a tarifas comerciais, cancelamento do Acordo de Paris, do acordo com o Irã e da política com a Rússia e concluiu que, pela primeira vez, o objetivo da cúpula do G7 é “reunir os aliados para tentar conter o estrago que ele está fazendo.”