De Olho No Mundo 11 de julho

De Olho No Mundo 11 de julho

Lúcia Guimarães

11 de julho de 2015 | 20h43

Ouça o De Olho No Mundo online aqui ou ao vivo na Rádio Estadão,  sábado às 19h, domingo às 20h, 92,9 FM com participação de Roxane Ré, Andrei Netto, Jamil Chade e Lúcia Guimarães.

GRÉCIA

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Voltamos a abrir o programa com o suspense da dívida grega. Andrei Netto diz que a situação evoluiu bastante depois do referendo do dia 5 de julho.  O primeiro-ministro Alex Tsipras reapresentou a proposta europeia que havia sido rechaçada pela opinião pública grega n plebiscito do dia 5. A única diferença é que Tsipras não abre mão do escalonamento da dívida.  A questão é se a União Europeia vai aceitar esta decisão até domingo à noite. Desde a quinta-feira, ficou claro que agentes do governo francês reescreveram toda a proposta grega para a União Europeia. Há duas semanas, Francois Hollande tenta se posicionar como conciliador, preocupado com o risco de perda geopolítica que a saída da Grécia da Zona do Euro representaria para a Europa. Jamil Chade argumenta que a ação da União Europeia na crise grega  sugere que o bloco não tem um plano de poder global. Nos Estados Unidos, aumentou o debate sobre o fato de que a Alemanha se beneficiou de perdões de sua dívida nas duas grandes guerras do século 20, especialmente em 1953.
Andrei Netto especula sobre dois cenários para a segunda-feira.  Se não houver acordo na reunião dos 28 chefes de estado da União Europeia, a Grécia amanhece segunda-feira na sarjeta, sem alternativa. A opinião publica vaio exigir satisfação do governo e dos bancos, mesmo que haja um acordo.

20 ANOS DE SREBRENICA 

No vigésimo aniversário do pior massacre em território europeu desde o final da Segunda Guerra, o primeiro-ministro sérvio foi apedrejado durante a cerimônia de  comemoração. Lembramos que a prioridade da Europa em 1995 não era a Bósnia. Jamil Chade lembra que os europeus encaravam o risco de massacre como algo que fazia parte do passado. Mas a guerra na antiga Iugoslávia terminou  terminou com 250 mil mortos. Isto tudo a  1h 30 de voo de Berlim. Há temor de um novo  enfrentamento. As condições na origem do massacre não foram resolvidas. A Sérvia continua negando o genocídio.  A Rússia vetou esforço no Conselho de Segurança  de classificar a morte de 8 mil civis bósnios como um genocídio. Jamil Chade lembra que, nos anos 90, os muçulmanos que não  se identificavam como extremismo e o mesmo não se pode dizer hoje, quando há índvíduos radicalizados na região

SÍRIA

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A ONU anunciou que a população de refugiados com a guerra na Síria chegou a  quatro milhões , o maior deslocamento de uma população nacional das últimas décadas.  Se somarmos  todos que saíram de suas casas dentro da Síria, o número de refugiados chega a doze milhões. É uma migração que deve mudar o mapa regional. Uma vez que populações saem da casa nesta escala, o retorno é muito difícil., lembra Jamil chade. Uma grande questão é, como vão estes refugiados  se integrar na sociedade da Jordânia, Líbano, Turquia ou na sociedade europeia? Até que ponto guerra que já dura cinco anos  teria alimentado radicalismo que não tem mais volta?

PAPA

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O Papa Francisco se desculpou pelo comportamento da Igreja católica na colonização do continente latino-americano. Jamil Chade diz, “O que mais me impressionou nesta viagem à América do Sul foi a diferença do tom do Papa Bento XVI falando da questão indígena, em Aparecida. Ele disse, então:”Nenhuma comunidade indígena foi forçada a adotar o catolicismo.”  Bento XVI, diz Chade, era tão desconectado da realidade, que afirmou que os indígenas não sabiam, mas estavam esperando por Jesus. O que o atual Papa disse é o contrário. É a mesma igreja, menos de de dez anos depois. Jamil Chade menciona que é muito difícil encontrar qualquer souvenir do papado de Bento XVI em Roma.

IRàNUCLEAR

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As negociações em Viena, que já venceram um prazo em 30 de junho, continuam intensas e foram estendidas até segunda-feira. A pressa se deve em parte  aos obstáculos que podem se erguer nos Estados Unidos e Irã por grupos conservadores que se opõem ao acordo. Jamil Chade lembra que Obama aposta alto num acordo que transforme a relação dos EUA com o Irã no mundo em capital diplomático.

DILMA E BRICS

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O banco dos BRICS é um passo concreto  para a cooperação entre as cinco economias emergentes, mas, como lembra Jamil Chade, há falta de coordenação sobre vários pontos em comum entre os países do bloco. Os BRICS têm, de fato, disputas por terceiros mercados – o Brasil se queixa da concorrência chinesa na America Latina e reclama da maneira como a China trata os produtos brasileiros de exportação. É difícil chamar os BRICS de bloco. Jamil Chade conta que não consegue obter da diplomacia brasileira posições comuns em questões que se aplicam aos grupo. Ele tentou, sem sucesso,  se aproximar do Chanceler Mauro Vieira na Itália. A Ucrânia pediu que a ONU aprovasse uma resolução sobre cooperação em direitos humanos no país e o Brasil se absteve. Sobre as sanções  da União Europeia e dos Estados Unidos à Rússia por causa da invasão da Ucrânia e da anexação da Crimeia, o Brasil geralmente  não apoia sanções unilaterais. Mas não falar do assunto Ucrânia para evitar mal-estar como anfitrião é abrir mão da voz do Brasil no cenário da política externa.

FIFA

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Jamil Chade nota que o presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, não foi à Copa America no Chile. O Chile tem acordo de extradição com os Estados Unidos. A dúvida agora é se Del Nero vai à Suíça, que também tem acordo de extradição com os EUA, no dia 20 de julho para uma importante reunião da Fifa.

Agnes Martin

Agnes Martin/Cortesia Pace Gallery

Agnes Martin/Cortesia Pace Gallery

O ano de 2015 , marca a volta de uma artista que foi contemporânea dos expressionistas abstratos, como Jackson Pollock e Willem de Kooning, mas recusava o rótulo. Agnes Martin foi tema de novas exposições e de dois livros recentes.

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Verão de 1964, aquarela de Agnes Martin. Cortesia Pace Gallery

Verão de 1964, aquarela de Agnes Martin.
Cortesia Pace Gallery

 

Fela Kuti

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Dezoito anos depois de sua morte, Fela Kuti inspira novas homenagens. Um lançamento de sua obra em edição limitada , com discos de vinil, está prevista para este ano. O multi-instrumentista nigeriano é apontado como o pai do Afrobeat. Aqui o trailer de um documentário americano sobre Kuti.

Dica de livro

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Já que estamos em fase de mandioquices, nada melhor do que celebrar o relançamento do Febeaba – o Festival da Besteira que Assola o País, de Stanislaw Ponte Preta, o Sergio Porto. Com prefácio de Sérgio Augusto, colunista do Estado, o Febeapa lembra que não é preciso uma ditadura para produzir absurdos patrocinados pelo poder.