De Olho No Mundo 18 de julho

De Olho No Mundo 18 de julho

Lúcia Guimarães

18 de julho de 2015 | 13h19

Iranian Foreign Minister Zarif stands on the balcony of Palais Coburg, the venue for nuclear talks, in Vienna

Ouça o De Olho No Mundo online aqui ou ao vivo na Rádio Estadão,  sábado às 19h, domingo às 20h, 92,9 FM com participação de Haisem Abaki, Andrei Netto, Jamil Chade e Lúcia Guimarães. Roxane Ré está de férias.

IRÃ

Irã Acordo

O acordo histórico que encerra três décadas de isolamento do Irã dominou a semana. O presidente Barack Obama começou uma campanha intensa de defesa do acordo que enfrenta grande resistência no Congresso controlado pelo Partido Republicano.  A reta final das negociações revelou um presidente mais ousado, depois de se fortalecer em casa com vitórias em política doméstica. Jamil Chade destaca o papel protagonista da Rússia nas negociações, especialmente na questão do embargo à compra de armas convencionais pelo Irã. Andrei Neto conta que a França teve um comportamento relativamente apático nas negociações. O governo francês tem uma desconfiança histórica do governo xiita em Teerã e tende a se alinhar com países árabes sunitas. Mas, pela primeira vez , em mais de quatro anos de guerra na Síria, o acordo com o Irã, ao reaproximar as potências envolvidas nas negociações em Viena, pode abrir uma porta para uma solução do conflito, argumenta Andrei Netto, destacando o apoio de Teerã ao governo de Bashar al-Assad. Um Irã integrado à comunidade internacional pode se dedicar melhor ao conflito que alimenta regularmente com financiamento e com armas. A dúvida é, a Síria está em processo de desintegração territorial, com parte de seu território ao Leste controlado pelo Estado Islâmico. Qual o país que restou para negociar o fim da guerra?

MH17

Vídeo obtido pela NewsCorp

Vídeo obtido pela NewsCorp

O primeiro aniversário da derrubada  de um avião civil com 298 pessoas sobre a Ucrânia passou sem que o crime seja esclarecido e responsáveis formalmente acusados.  A queda do avião da Malaysia Airlines, que voava entre Amsterdam, na Holanda e Kuala Lumpur na Malásia,  foi o fator decisivo para a união dos europeus em torno de novas sanções contra a Rússia de Vladimir Putin, em 2014. Mas a Rússia, com seu poder de veto no Conselho de Segurança impede uma investigação na ONU, pedida pela Holanda, Austrália e Malásia. Jamil Chade conta que repercutiu bastante na ONU o bloqueio russo, já que se tratava de uma investigação para apurar responsabilidades, não uma condenação implícita. Os russos usaram a frase “não é pertinente” para impedir a investigação, o que foi visto como esforço para obstruir a apuração do massacre de passageiros. O conflito da Ucrânia continua congelado no leste do país, onde a importante região de  Donetsk e Luhansk, sofre a redução drástica da atividade econômica e a rotina de combates. Um novo vídeo gravado momentos após a queda do avião, em que rebeldes pró-Rússia aparecem saqueando os escombros, causou revolta na Austrália, país que perdeu 27 cidadãos e 11 residentes na tragédia. (Atenção: o vídeo abaixo contém imagens perturbadoras da cena da queda)

JAPÃO

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O Primeiro Ministro Shinzo Abe enfrenta protestos pela aprovação, na quinta-feira, da primeira legislação, desde o final da Segunda Guerra, que permite o envio de tropas ao exterior.  Houve protestos em Tóquio. Pesquisas apontam forte oposição da opinião pública japonesa contra a iniciativa.  O diretor Hayao Miyazaki, apelidado de o “Walt Disney japonês” e acusado de “traidor” pela direita japonesa, denunciou Abe por destruir o pacifismo  que definiu a história do país no pós-guerra. Miyazaki é diretor de Vidas ao Vento que o crítico do Estado, Luis Carlos Merten, destacou como um dos melhores filmes de 2014. O filme de animação é uma narrativa em ficção da vida de Jirô Horikoshi, designer do Mitsubishi Zero, uma avião utilizado no ataque a Pearl Harbor, que levou os Estados Unidos a entrar na Segunda Guerra. Assista um trailer de Vidas ao Vento.

GRÉCIA

Angela Merkel, François Hollande e Alexis Tsipras

Angela Merkel, François Hollande e Alexis Tsipras

O processo  de recuperação da Grécia de cinco anos de crise financeira apenas começou e começou mal.  O parlamento da Alemanha, maior credor da Grécia, aprovou o pacote de resgate negociado em Bruxelas. Os europeus aprovaram uma ajuda emergencial de € 7 bilhões de financiamento de curto prazo para a Grécia saldar  dívidas com o FMI e a dívida com o Banco Central Europeu.  É de fato um resgate de bancos, nota Andrei Netto. É um modelo em que o governo gasta todo o empréstimo para pagar dívidas, não é resgate do povo grego e sim do sistema financeiro.  Andrei Netto comenta a semana sui generis nas relações franco-germânicas. Os dois poderes europeus se viram em polos opostos na reta final das negociações, quando a França impôs a exclusão condição de que a cláusula de time-out, proposta pela Alemanha, de retirar a Grécia temporariamente da Zona do Euro. O argumento da França, apoiado em Washington, é que a Grécia não deve ser excluída e empurrada para os braços da Rússia. O raciocínio político francês se opôs à ortodoxia financista alemã. Lembramos o movimento de surpresa do FMI, que vazou um documento interno concluindo que o pacote aprovado no começo da semana era impraticável sem uma redução do principal da dívida grega. Alguns viram, na agressividade do FMI, um dedo dos Estados Unidos, descontentes com a intransigência europeia na condução da crise grega. Andrei Netto lembra que vem mais crise por aí, com a convocação certa de novas eleições por Alexis Tsipras no segundo semestre.

Angela Merkel consola refugiada palestina ameaçada de deportação.

Angela Merkel consola refugiada palestina ameaçada de deportação.

Foi também uma semana que Angela Merkel não deve esquecer. Embora firmemente apoiada por seu partido e pela opinião pública alemã, Merkel  conseguiu despertar hostilidade internacional além de seu papel na crise grega. Ao conversar com uma menina palestina aos prantos e sob ameaça de deportação com sua família, Merkel chamou atenção para a intransigência de seu governo na crise global de refugiados.

 BRASIL NO MUNDO

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A repercussão da investigação criminal sobre o presidente Lula por tráfico de influência foi, como se espera, inicialmente mais ampla do que o depoimento na Lava Jato  incriminando o presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Mas as consequências econômicas do rompimento do PMDB com o governo Dilma Rousseff começaram a ser avaliadas durante o fim de semana. Jamil Chade comenta que o status de Lula na Europa como um porta-voz do mundo emergente aumenta o destaque dado à crise de corrupção brasileira. Lula, lembra Andrei Netto, foi referência positiva sobre a redemocratização do Brasil e sua imagem heróica sofre desgate  na Europa.

FIFA

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Na segunda-feira, começa a primeira reunião da Fifa para planejar seu futuro após a investigação criminal americana e ela  não deve contar com a presença do presidente da CBF, como informa Jamil Chade, em Genebra. Kofi Annan, ex-secretário-geral da ONU foi sugerido por europeus como possível substituto de Joseph Blatter na presidência da Fifa, como um nome fora do mundo do futebol para recuperar a integridade da organização.

Descubra um artista

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Foi aberta no Studio Museum do Harlem, em Manhattan,  e bem avaliada pela critica, a primeira exposição individual  do pintor expressionista abstrato Stanley White. Ele deu depoimento sobre a mostra à revista Artforum.

Leitura recomendada

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O quarto e elogiado livro do cirurgião e escritor Atul Gawande, trata do papel do médico no fim da vida. Aqui a entrevista exclusiva do Estado com o autor de Mortais, Nós, a Medicina e o Que Realmente Importa no Final (Editora Objetiva), uma meditação delicada sobre a humanidade do paciente e a do médico enfrentando juntos a doença terminal.

Caetano e Gil em Montreux

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Jamil Chade foi ao show de Caetano Veloso e Gilberto Gil em Montreux, considerado o melhor espetáculo do festival este ano. Jamil Chade entrevistou Gil antes do show. O âncora Haisem Abaki se distraiu da música, olhando uma certa fotografia nada lisonjeira de Caetano Veloso com Carla Perez nos bastidores. Vale lembrar que a Suíça enfrenta uma onda de calor recordista e os teatros não são tão bem equipados com ar condicionado.