De Olho No Mundo 23 de maio

De Olho No Mundo 23 de maio

Lúcia Guimarães

23 de maio de 2015 | 16h29

Ouça o De Olho No Mundo online aqui ou ao vivo na Rádio Estadão,  sábado às 19h, domingo às 20 h, 92,9 FM com participação de Roxane Ré, Andrei Netto, Jamil Chade e Lúcia Guimarães.

Abrimos o programa com o avanço das forças do Estado Islâmico no Iraque e na cidade de Palmyra, na Síria. Jamil Chade lembra que mapa da Síria e do Oriente Médio vai sendo resenhado de maneira dramática pelo grupo, que tem um plano de chegar ao poder e formar uma nação. A tomada de Palmyra, além de ameaçar a destruição de um patrimônio cultural da humanidade, coloca os militantes em posição de melhor acesso à fronteira do Iraque. A queda da importante cidade iraquiana de Ramadi, que colocou a população em fuga, provoca questionamento à eficácia dos bombardeios americanos às posições do Estado Islâmico. O exército do Iraque fugiu da região e, no seu lugar dezenas de milhares de membros de milícias xiitas pró Irã, se concentram para um assalto a Ramadi. As milícias xiitas são notórias por sua brutalidade contra as populações sunitas do Iraque. Andrei Netto argumenta que os avanços do Estado Islâmico na Síria sinalizam a proximidade da queda do regime de Bashar al-Assad

Palmyra, Síria

Palmyra, Síria

Conhecida como a “Noiva do Deserto”, a cidade de Palmyra, foi tomada do exército sírio pelo Estado Islâmico foi tomada pelo Estado Islâmico na quarta-feira, 20 de maio. As ruínas de Palmyra resistem há dois mil anos e são um documento único do Império Romano na região. Em 2013, a Unesco já havia alertado para o aumento dos riscos ao patrimônio cultural, com o agravamento da guerra na Síria. Os guerrilheiros islâmicos já destruíram vários outros monumentos das Antiguidade no Iraque e prometem fazer o mesmo com Palmyra. Como mostra a TV Estadão, o grupo já entrou no museum e Palmyra.

Quem são os rohingya, a minoria de Mianmar que compõe a maioria do migrantes à deriva em barcos no sudeste da Ásia. O governo norte-americano pediu a Mianmar que conceda cidadania a mais de 1 milhão de rohingyas que vivem em Rakhine, no leste do país. Indonésia e Malásia aceitaram dar abrigo temporário a 7 mil migrantes que já estavam a bordo de barcos. Andrei Netto lembra que foi, de fato, a Austrália que começou a política de impedir que barcos de migrantes na região chegassem ao seu território. A crise ecoa uma indisposição crescente no mundo contra movimentos migratórios, ilustrada por uma nova iniciativa draconiana contra a imigração ilegal, do Primeiro Ministro britânico David Cameron, recém reeleito. Jamil Chade menciona a imagem abaixo, no momento da descoberta de migrantes escondidos num barco, que evoca as pinturas sobre a escravidão de africanos nos séculos 18 e 19.

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O destino da vigilância em massa da NSA, denunciada por Edward Snowden em 2013 é incerto. Em Washington, o Senado americano entrou em recesso sem votar a renovação do Patriot Act, cuja autorização expira no dia primeiro de junho. O impasse transformou em aliados senadores do Partido Democrata e da ala do Partido Republicano identificados com o pensamento libertário. O debate não existiria sem as revelações de Snowden mas, em ambos os partidos, ele não tem defensores e um novo ocupante na Casa Branca, em 2017 não deve

Edward Snowden

Edward Snowden

Andrei Netto lembra que a situação de Edward Snowden destaca a importância de leis de proteção à denúncia dos chamados whistleblowers, a exemplo do que acontece com a delação premiada no Brasil.

Nicolás Maduro e Diosdado Cabello

Nicolás Maduro e Diosdado Cabello

O número dois do regime venezuelano, Diosdado Cabello, está sendo investigado por promotores federais americanos como líder do narcotráfico. O presidente Nicolás Maduro reagiu dizendo “quem se mete com Diosdado se mete comigo”. Mas, ao contrário das criticadas sanções impostas por Barack Obama em março passado, desta vez, se trata de uma  investigação de promotores com independência da Casa Branca, baseada em depoimentos de dissidentes e traficantes presos. A existência do caso no judiciário norte-americano foi revelada numa extensa reportagem do Wall Street Journal.

O Brasil continuou em destaque no noticiário internacional. Os acordos assinados com a China foram vistos com algumas reservas por causa de uma história de projetos não realizados. A revista Economist comenta “O Talão de cheque chinês”. Jamil Chade usa como exemplo de obstáculos a fábrica da Embraer na China.

NYTimes primeira página

Uma reportagem de primeira página do jornal New York Times relata a convivência resignada da população carioca com a violência policial.

Quanto custa a seleção brasileira? Jamil Chade comenta suas revelações exclusivas no Estado sobre o contrato fechado entre a CBF e uma empresa no paraíso fiscal das ilhas Cayman e prevê a reeleição fácil do controverso Joseph Blatter.

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O De Olho No Mundo se despede com um artista quando jovem, de fato, quando criança. O pianista prodígio Joey Alexander, de 11 anos, lançou seu primeiro CD nos Estados Unidos. No vídeo abaixo, ele toca “Over The Rainbow”.

E aqui “Giant Steps”, clássico de John Coltrane.