De Olho No Mundo 8 de Agosto

De Olho No Mundo 8 de Agosto

Lúcia Guimarães

08 de agosto de 2015 | 15h40

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Ouça o De Olho No Mundo online aqui ou ao vivo na Rádio Estadão,  sábado às 19h, domingo às 19h, 92,9 FM com participação de Roxane Ré, Andrei Netto, Jamil Chade e Lúcia Guimarães.

IMIGRANTES

O número de imigrantes mortos na tentativa de chegar à Europa ultrapassou 2 mil, informa Andrei Netto.  Jamil Chade argumenta o problema é global, não é específico da Europa, e há grande fluxo de imigrantes da Ásia. As soluções impõee cada vez mais adversidade para os imigrantes. Jamil Chade cita a solução do governo australiano que terceirizou o problema para Papua Nova Guiné, onde o governo é pago para receber os imigrantes num centro. Se um barco se aproxima da Austrália, é reconduzido ao centro. Na Suíça, um país com renda per capita de US$50 mil, conta Jamil Chade, os imigrantes estão sendo alojados num abrigo nuclear subterrâneo. Os imigrantes são, em grande número, refugiados de conflitos que tiveram intervenção direta ou suporte militar ocidental, como Iraque, Líbia e Síria. Andrei Netto lembra que um grande ponto de virada na desestabilização no Oriente Médio foi a invasão americana no Iraque. A sequência de erros do Ocidente é indissociável da crise da imigração que afeta a União Europeia. Jamil Chade comenta que o Brasil levantou o conceito de “responsabilidade de proteger” especialmente em guerras resultantes de intervenção, ainda que por motivos humanitários. Uma nova pesquisa feita na União Europeia revelou que a imigração se tornou a ameaça número um, na opinião do público.

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70 ANOS DE HIROSHIMA E NAGASAKI

Uma pesquisa do Pew Research Center revela a queda progressiva de apoio ao ataque nuclear a Hiroshima entre o público americano.  As opiniões, ao longo de 70 ano, variaram entre gerações e refletem também a censura imposta a imagens dos efeitos das bombas de Hiroshima e Nagasaki sobre a população civil. O governo americano temia que as cenas de horror virassem a opinião pública contra a decisão de usar a bomba nuclear pela primeira vez num conflito. Logo após o ataque a Hiroshima, em agosto de 1945,  85% dos americanos aprovavam a decisão do governo do presidente Harry Truman. A narrativa histórica predominante, nos Estados Unidos, via a bomba como a alternativa a uma invasão do Japão que custaria meio milhão de vidas americanas. Jamil Chade pergunta se a expressão “crime de guerra” pode ser aceita para descrever os ataques a Hiroshima e Nagasaki. A Cruz Vermelha informou recentemente que as bombas continuam matando pelos efeitos provocados na saúde dos japoneses e o número de vítimas, nas últimas sete décadas, já ultrapassou os 200 mil mortos logo após os dois bombardeios. Historiadores hoje argumentam que Hiroshima foi o ponto de partida de uma corrida armamentista. 

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ESTADOS UNIDOS E CLIMA

O presidente Barack Obama, ao propor uma redução de 32 %, nas emissões das usinas de carvão até 2030, surpreendeu os pessimistas e despertou uma gritaria no Partido Republicano. Estados mais dependentes da energia produzida por carvão já avisaram que vão processar o governo Obama. Analistas lembram que são as forças do mercado, e não o capricho do governo democrata as responsáveis pelo declínio do carvão. A briga deve ir até a Suprema Corte e alguns observadores jurídicos estimam que a disputa pode durar mais de dois anos.  Obama justificou o momento do anúncio como um exemplo necessário dos Estados Unidos para o mundo, pouco antes da conferência mundial do clima em Paris, que começa no dia 30 de novembro.  É a maior conferência do clima desde a realizada na Dinamarca, de 2009, e a ambição é obter um acordo que possa suceder o Protocolo de Kyoto. Andrei Netto diz que, apesar da liderança necessária de Obama, não devemos esquecer que foi o próprio presidente americano o principal entrave à obtenção de um acordo ambicioso em 2009. O novo plano americano, avalia Andrei Netto, não é exatamente ambicioso: toma como referência as emissões do ano de 2005 e não da década de 1990 como propõem os europeus. O Brasil é muito aguardado na conferência em Paris. A Ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira promete apresentar, nos próximos dias, um conjunto de metas voluntárias do Brasil. Jamil Chade comenta que qualquer compromisso brasileiro em foro internacional que implique aumento de despesa pública, no momento, deve ser visto com ceticismo. O Brasil já acumula uma dívida de R$ 1 bilhão só com a ONU. Operações de base como a participação do Brasil na força da ONU no Haiti não estão recebendo fundos do Brasil, informa o correspondente.

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OLIMPÍADAS

Com o início da contagem regressiva de um ano para as Olimpíadas de 2016, o estágio dos preparativos cariocas passou a concentrar mais atenção da mídia internacional. Houve destaque para a postura defensiva, tanto do governo do estado, como da prefeitura. O governador Luiz Fernando Pezão admitiu, na segunda-feira, que a meta para despoluir a Baía de Guanabara, cenário de provas olímpicas, foi ambiciosa e não podia mesmo ter sido atingida. O prefeito Eduardo Paes, diante de uma comparação ao avanço dos preparativos, um ano antes da Olimpíada em Londres, reagiu dizendo que é preciso comparar ao Rio ao Rio e não a Londres e que a cidade está fazendo “milagre”. É o caso de se perguntar se o Comitê Olímpico Internacional distribui a sedes de olimpíadas com base no potencial milagreiro das cidades.

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CBF

A Fifa e o Conmebol decidiram ampliar a investigação sobre o amistoso entre a seleção brasileira e a Bolívia, em abril de 2013. O  amistoso era para beneficiar a família do torcedor boliviano morto por um rojão disparado por torcedores do Corinthians, que enfrentava o San Jose. O presidente da Federação Boliviana de Futebol, Carlos Chávez já foi preso, acusado de desvio da renda da partida. Mas a renda da transmissão, negociada pela CBF, também  não foi revertida para a família do torcedor Kevin Espada e a atenção agora se volta para a participação brasileira no caso.  Mas o noticiário sobre a Lava Jato e a economia estão consumindo mais a atenção da mídia internacional do que as suspeitas de corrupção no futebol brasileiro. Quando conversou com Jamil Chade na viagem recente à Suíça, o senador Romário (PSB-RJ) comentou que a CPI do Futebol deve atrair atenção maior mesmo é do PT por não tratar de temas que afetam o partido em outras comissões.

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NA quinta-feira, 6, o jornal Financial Times publicou uma reportagem especulando se o legado de Dilma Roussef será o combate à corrupção, que ela não comanda mas também não obstrui.

A Flauta Mágica Foto Karli Cadel/Glimmerglass Festival

A Flauta Mágica Foto Karli Cadel/Glimmerglass Festival

A FLAUTA MÁGICA

Uma nova produção da ópera A Flauta Mágica, de Mozart,  no Festival de Glimmerglass, ao norte de Nova York, foi bem recebida pela crítica e a temporada vai até o dia 23 de agosto. Para os fãs desta ópera, destacamos a gravação que foi recentemente apontada como uma das melhores, pela rádio de música clássica nova-iorquina WQXR. É a de 1964, conduzida pelo maestro Otto Klemperer, com Gundula Janowitz  como Pamina, Nicolai Gedda como Tamino, Walter Berry como Papageno. A gravação foi remasterizada.

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