De Olho No Mundo25 de julho

De Olho No Mundo25 de julho

Lúcia Guimarães

25 de julho de 2015 | 00h19

 

Barack Obama recebido em Nairobi pela meia-irmã, Auma Obama. Foto AFP

Barack Obama recebido em Nairobi pela meia-irmã, Auma Obama. Foto AFP

Ouça o De Olho No Mundo online aqui ao vivo na Rádio Estadão,  sábado e domingo às 19h, 92,9 FM com participação de Haisem Abaki, Andrei Netto, Jamil Chade e Lúcia Guimarães. Roxane Ré está de férias.

GRÉCIA

Alexis Tsipras

Alexis Tsipras

Duas votações  em Atenas retiraram o o obstáculo legislativo para a negociação do novo pacote de de empréstimos para a Grécia, que pode chegar a até € 86 bilhões. Mas a aproximação do partido Siriza do primeiro ministro Tsipras com Moscou parece ter sofrido um revés. Andrei Netto comenta que Alexis Tsipras defendeu sua aproximação da Rússia, mas Vladimir Putin deixou claro que não ia socorrer a Grécia. Um jornal independente grego revelou que Tsipras teria pedido US $ 10 bilhões a Putin para financiar a eventual saída da Grécia da zona do Euro e retornar ao Dracma. O silêncio de Putin e a recusa de ajudar os gregos foram vistos, por críticos à esquerda de Tsipras, como sinal de que o presidente russo teria abandonado Atenas em troca de acomodação sobre sua ocupação do leste da Ucrânia. O fato é que, mesmo sob pressão econômica com as sanções ocidentais e a queda do preço do petróleo, a Rússia poderia ter ajudado a Grécia. Putin não concedem empréstimo algum porque não quis.

OBAMA NA ÁFRICA

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Barack Obama volta ao Quênia pela primeira vez como presidente. Na década de 1980, Obama visitou o Quênia em busca das suas raízes, anos depois da morte de seu pai, também chamado Barack Obama. A viagem foi narrada em suas memórias,  Sonhos de Meu Pai. Agora Obama vai à África, não em busca de inspiração mas encontra um continente cada vez mais vulnerável ao terrorismo islâmico e marcado por violações de direitos humanos. Seu primeiro anfitrião na visita de quatro dias é Uhuru Kenyatta, o presidente queniano que é acusado de crimes contra a humanidade pelo Tribunal Penal Internacional.

Antes de embarcar para Nairóbi, Obama deu uma entrevista à rede BBC em que mencionou sua frustração com a persistência de mortes violentas por armas de fogo. Em poucas horas, os Estados Unidos despertaram para um novo tiroteio, desta vez, dentro de um cinema da cidade de Lafayette, na Luisiana. O atirador, que matou duas pessoas e feriu novem antes de se suicidar, tinha um histórico de doença mental, confronto com a polícia e obteve uma arma legalmente em 2014.

TURQUIA E ESTADO ISLÂMICO

Presidente Erdogan, em janeiro, cercado por soldados vestidos com trajes da época do Império Otomano

Presidente Erdogan, em janeiro, cercado por soldados vestidos com trajes da época do Império Otomano

A Turquia passou a se engajar em combate direto com o Estado Islâmico. O presidente Recep Tayyip Erdo?an decidiu autorizar o uso de bases turcas para os bombardeios ao grupo radical sunita em território Sírio. A mudança de posição tem o potencial de mudar o conflito sírio, já que o governo Erdo?an, além de não ter participado antes da coalizão que bombardeia o Estrado Islâmico desde 2014, é acusado de fazer vista grossa para o fato de que a fronteira entre Turquia e a Síria basicamente se dissolveu.  Termina no fim de julho uma série de consultas realizadas pela ONU sobre negociações para a guerra na Síria. Com o acordo nuclear iraniano, os principais atores da região parecem entrar em cena, nota Jamil Chade. A questão é, como os poderes vão negociar a posição do presidente Bashar al-Assad.

A CORTE AO MERCADO IRANIANO

Iranianos comemoram acordo nuclear em Teerã.

Iranianos comemoram acordo nuclear em Teerã.

Enquanto o governo Obama sua para vender o acordo com o Irã ao Congresso, em Washington, delegações comerciais de países como a Alemanha se apressam em cortejar uma raridade na economia global: Um novo mercado de uma potência regional com 77 milhões de habitantes, carente de consumo e de investimento de infra-estrutura como o Irã, que emerge de décadas de sanções e prestes a lançar mão de fundos bloqueados e ricas reservas de petróleo.

O CIRCO TRUMP

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O candidato Donald Trump continua roubando a cena na campanha presidencial do Partido Republicano e subindo nos números das pesquisas. A timidez dos republicanos em criticar o extremismo de Trump, com seus insultos aos imigrantes hispânicos e ao desempenho militar do Senador John McCain, condecorado veterano da Guerra do Vietnã, é, em parte explicado pela ameaça de Trump de sair do partido. Se concorrer como independente, Trump, pode abrir uma vantagem de 16 pontos sobre o possível favorito no campo republicano, Jeb Bush. Uma candidatura independente de Trump entregaria a vitória em 2016 à democrata  Hillary Clinton.

SUÍÇA & LAVA JATO

Marcelo Bahia Odebrecht

Marcelo Bahia Odebrecht

O governo suíço, que investiga Marcelo Odebrecht, descobriu provas concretas de pagamento de propina pela construtora Odebrecht à Petrobrás, através de uma rede de empresas offshore recebendo dinheiro de sucursais da construtora fora do Brasil. Jamil Chade comenta a sofisticação do esquema que surpreendeu até os investigadores suíços e conta que três procuradores da Lava Jato viajaram inicialmente à Suíça em 2014, por uma semana. Diante da quantidade de documentos a ser examinada, a equipe voltou este ano com onze procuradores. O editorial do Financial Times, que classificou a crise do Brasil de “um filme de terror sem fim”, causou irritação em Brasília mas dá o tom da repercussão da crise na imprensa internacional.

50 anos de Dylan elétrico

Este sábado, 25, marca os cinquenta anos do concerto em que Bob Dylan chocou a plateia do Festival de Jazz de Newport trazendo uma guitarra elétrica para o palco. Dylan era um ídolo da música folk e a guinada marcou a evolução dos gêneros folk e rock. Ouça Dylan cantando Maggie’s Farm acompanhado pela lendária guitarra Fender Stratotascter, em 1965.

Leitura recomendada

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A publicação de Between the World and Me (Entre o Mundo e Eu) foi antecipada para este mês, nos Estados Unidos, por causa do massacre na igreja afro-americana de Charleston. O livro se tornou rapidamente um bestseller e foco de discussão sobre relações raciais nos Estados Unidos. O autor, Ta-Nehisi Coates, cresceu em Baltimore e mora em Nova York, onde escreve para a revista The Atlantic. Coates ganhou o prêmio George Polk de ensaio jornalístico pelo artigo de 2014 em que argumenta a favor de reparação financeira para os afro-americanos vitimas de segregação institucional e econômica.