Debate presidencial deve bater recorde de audiência

Lúcia Guimarães

16 de outubro de 2012 | 19h04

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Barack Obama caminha com Chefe de Gabinete Jack Lew num intervalo do ensaio para o debate em Williamsburg, Virginia (Foto Pete Souza/ Casa Branca)

Num ano em que a TV americana luta para se manter relevante diante do assalto das mídias digitais, em que os jovens cada vez mais abandonam a TV ao vivo, o segundo debate presidencial deve bater recorde de audiência e justifica todas as metáforas esportivas. E, para aumentar o suspense, não são só os dois candidatos, Mitt Romney e Barack Obama, que são tratados como pugilistas. A mediadora e veterana jornalista Candy Crowley, da CNN, já comprou briga e avisou que não vai acatar as regras rígidas impostas pela Comissão de Debates Presidenciais, uma fundação sem fins lucrativos criada em 87 e financiada por corporações bastante lucrativas. Só em 92 a comissão escalou a primeira mulher, Carole Simpson, também a primeira negra americana a ancorar um telejornal de rede, para  mediar um debate presidencial, o famoso confronto entre George Bush pai, Bill Clinton e o bilionário histriônico Ross Perot.
A revista Time revelou hoje um memorando de entendimento entre as duas campanhas e a Comissão, um documento de bastidores que revela a preocupação em controlar a atmosfera do debate.  Um ítem que trata do papel de Candy Crowley no debate estilo town hall, com perguntas da platéia, determina que a jornalista não deve dar sequência a perguntas. Ora, disse Crowley, se um membro do público perguntar sobre maçãs e o candidato responder sobre laranjas, vou cobrar, sim.
Os participantes do debate foram selecionados apenas entre os eleitores indecisos, esta parte da população que decididamente desafia a nossa credulidade ao se declarar em cima do muro depois de dois anos de campanhas e candidatos com diferenças que afetam radicalmente a vida de cada americano. Vamos ver se o formato engessado dos debates dificilmente resiste a mais uma eleição.
Vantagens e perigos: Barack Obama detesta debates e gosta de falar para platéias. Mas ele já desperdiçou a chance, no primeiro debate, de denunciar as falsidades proferidas por Mitt Romney diante de 67 milhões de americanos. No formato de hoje, Obama não pode olhar para  Mitt Romney e dizer, a conta do seu plano fiscal não fecha. Mitt Romney, que passou a maior parte da campanha ridicularizado como um cyborg, tem se sentido mais à vontade depois de seu bom desempenho contra Obama e mostra mais energia com a subida nas pesquisas. Ele precisa relaxar diante da platéia sem parecer falso como a sua repentina virada para o centro.
O efeito do primeiro debate na campanha, quando Barack Obama surpreendeu até os adversários com sua apatia, tem sido exagerado pela mídia, dizem especialistas em pesquisas de opinião. Obama já apresentava uma ligeira queda antes do debate de Denver e Romney já perdeu um pouco a vantagem pós-debate. Na contagem Estado por Estado, a que decide a eleição por causa dos números do Colégio Eleitoral, a vantagem continua com  presidente. Se Obama conseguir superar seu desprezo pelo que considera um triste espetáculo, ele tem chances de reparar o estrago que fez, sozinho, na própria campanha.

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