Hillary Clinton anuncia candidatura a presidente em vídeo na rede social

Hillary Clinton anuncia candidatura a presidente em vídeo na rede social

Lúcia Guimarães

12 de abril de 2015 | 14h17

Hillary Clinton anuncia candidatura a presidente em vídeo no YouTube

Hillary Clinton anuncia candidatura a presidente em vídeo no YouTube

A candidatura mais previsível da campanha presidencial norte-americana de 2016 foi anunciada em circunstâncias que esvaziam a pompa da expectativa. A ex-Secretária de Estado, ex-senadora democrata e ex-primeira-dama Hillary Clinton põe fim a dois anos de suspense e se lança candidata a primeira mulher presidente dos Estados Unidos com um vídeo distribuído na rede social. O vídeo de 2 minutos e 18 segundos,  sob o título, Getting Starded (Começando) abre com depoimentos de americanos cujas vidas estão em fluxo e que buscam  um futuro melhor. Hillary Clinton só aparece no vídeo depois de um minuto e meio, dizendo: “Estou me preparando para fazer algo também. Estou me candidatando a presidente.”  Ela afirma que vai pegar a estrada para conquistar o voto. Uma Hillary Clinton com mensagem muito diferente da que se candidatou em 2007.

Durante a tarde, John Podesta, que deve chefiar a campanha de Clinton, enviou um email, afirmando: “É oficial. Hillary é candidata a presidente.”

Campanha presidencial anunciada pelo Twitter

Campanha presidencial anunciada pelo Twitter

 

Mesmo tendo alertado a mídia sobre o anúncio, Hillary Clinton manteve as principais redes de televisão norte-americanas em compasso de espera durante toda a manhã de domingo, um horário que é habitualmente dominado por programas políticos. Vários entrevistados convidados para comentar o anúncio se viram preenchendo o tempo no ar com especulações sobre a mulher mais famosa da história política americana desde Eleanor Roosevelt.

Hillary Clinton como Secretária de Estado, em foto que virou meme na Internet

Hillary Clinton como Secretária de Estado, em foto que virou meme na Internet

A principal missão de Clinton neste domingo não é fazer o anúncio e sim justificar uma candidatura, vista como inevitável e forte o suficiente para intimidar outras aspirações presidenciais do Partido Democrata. O poder da candidata de levantar fundos não tem paralelo no partido e especula-se que sua campanha poderá custar US$ 2 bilhões.

Se eleita, Hillary Clinton chegará à Casa Branca aos 69 anos, depois de mais de duas décadas de vida pública.  Só Ronald Reagan se elegeu mais velho. Ele tomou posse semanas antes de completar 70 anos e obteve um segundo mandato. Mas a idade da candidata dificilmente será explorada por adversários e sim o que vão tentar representar como o envelhecimento das ideias da mulher do ex-presidente Bill Clinton, ainda hoje o político mais popular dos Estados Unidos.

Primeira posse de Bill Clinton, em janeiro de 1993

Primeira posse de Bill Clinton, em janeiro de 1993

Mesmo antes do anúncio oficial, Hillary Clinton deixou claro, através de emissários, que a aura de inevitabilidade em torno de sua candidatura pode se tornar um obstáculo. Ela aprendeu uma dura lição em 2008, quando a mesma fama de política à espera de coroação foi destroçada pelo então calouro e menos bem financiado Senador Barack Obama. A decisão de divulgar a candidatura em vídeo, não dar entrevistas e viajar esta semana ao Estado de Iowa para pequenos encontros com eleitores é parte de uma estratégia cuidadosamente orquestrada para não alienar eleitores que podem se tornar apáticos numa temporada de primárias democratas dominada por uma só figura. Ao contrário de 2008, quando o fato de ser mulher foi intencionalmente afastado da mensagem da campanha, desta vez, Hillary Clinton vai se apresentar como mulher, mãe e avó. Podemos esperar referências constantes à sua primeira neta Charlotte, de cinco meses, filha de sua única filha Chelsea.

Os mais prováveis democratas dispostos a desafiar a poderosa candidatura da ex-Secretária de Estado são o ex-senador da Virgínia, James Webb, e o ex-governador de Maryland, Martin O’Malley, ambos políticos com pouca projeção nacional e à esquerda de Clinton. Mas outro desafio da esquerda deve partir da mais famosa não-candidata, a senadora Elizabeth Warren, em seu primeiro mandato como representante do Estado de Massachusetts. A professora de Direito da Universidade de Harvard é tratada como rock star por sua mensagem de populismo econômico ressonante para uma classe média que não desfruta dos benefícios esperados com a recuperação do crash de 2008. Warren idealizou o Bureau de Proteção Financeira ao Consumidor, uma agência inaugurada no governo Obama e é tratada como adversária por Wall Street. A expectativa é de que, sem poder fazer campanha contra o antecessor Barack Obama, Hillary Clinton vai sublinhar uma mensagem de combate à desigualdade econômica.