MANNING CONDENADO A 35 ANOS DE PRISÃO

Lúcia Guimarães

21 de agosto de 2013 | 11h29

Manning vai pedir perdão presidencial a Obama, diz advogado.

O soldado Bradley Manning, 25 anos, responsável pelo vazamento de 750 mil documentos classificados do governo americano para a organização Wikileaks, quando estacionado no Iraque, em 2010, foi condenado num tribunal militar de Fort Meade, Maryland, a 35 anos de prisão. A sentença determinada pela Juíza Denise Lind, a mais longa por um caso de vazamento para a imprensa, ainda deve ser confirmada pelo General Jeffrey Buchanan, que pode diminuir mas não aumentar o tempo de prisão. Manning foi rebaixado e desligado “com desonra” do Exército. Deve ser transferido para a prisão do Forte Leavenworth, no Estado do Kansas, enquanto aguarda apelo de seus advogados.

Depois de ouvir a sentença, Manning disse a seu advogado David Coombs, “Está OK. Vou atravessar tudo isso.” Coombs anunciou que Manning vai pedir um perdão presidencial a Obama ou ao menos requerer que o presidente americano comute a sua pena pelo tempo já servido, um total de 1294 dias. Os promotores havia pedido 60 anos de prisão para o soldado. A pena de 35 anos é vista como um alerta para futuros funcionários com acesso a segredos do governo. A defesa de Manning havia argumentado que o soldado, na época do crime, estava deprimido e confuso por ser homossexual e servir numa força que tornava ilegal a admissão de homossexualismo. Manning teria dado sinais suficientes de perturbação emocional, alegou a defesa, para que seus superiores o afastassem de contato com informações classificadas.

O tratamento dado a Bradley Manning, desde 2010, em condições de prisão que foram denunciadas pelas Nações Unidas, pesou na decisão do ex-funcionário da CIA Edward Snowden de fugir dos Estados Unidos com seu vasto material sobre o programa de vigilância e espionagem do govenro americano. A Juíza Denise Lind pode ter levado em conta o pedido de desculpas de Manning no tribunal. Ele afirmou que vazou os documentos para alertar o público e não para causar dano e seu país. Com o tempo de prisão já cumprido, Manning pode pedir liberdade em 2022, quando tiver 34 anos.

A União Americana de Liberdades Civis reagiu à sentença de Manning dizendo: “Quando um soldado que compartilhou informação com a imprensa é punido com mais rigor do que outros que torturaram prisioneiros e mataram civis, há algo seriamente errado com nosso sistema de justiça. A Anistia Internacional vai pedir a Barack Obama para comutar a pena de Manning.”Bradley Manning agiu sob a convicção de que poderia provocar um debate signifitativo sobre o custo da guerra, e especificamente sobre a conduta de militares dos Estados Unidos no Iraque e no Afeganistão,” disse Wideney Brown, diretor de Lei Internacional e Política da Anistia.

Entre os documentos incluídos no vazamento para a Wikileaks, havia revelações sobre a condução da guerra no Iraque com um número de vítimas civis muito mais alto do que os admitidos inicialmente pelo governo de George W. Bush; relatórios sobre a guerra no Afeganistão que revelavam uma situação bem mais pessimista sobre o progresso da ocupação internacional; detalhes das condições de 700 prisioneiros na ilha de Guantánamo; detalhes sobre o relacionamento do governo americano com regimes árabes totalitários, com referências ao ex-presidente tunisiano Zine El Abidine Ben Al cuja fuga da Tunísia foi um marco do início da Primavera Árabe.

Perdões Presidenciais – Obama é menos generoso

A Constituição americana  dá ao presidente em exercício o poder de conceder perdões para condenados por crimes federais, como é o caso de Bradley Manning. Uma investigação da organização ProPublica apurou que Obama demonstrou clemência  mais raramente do que qualquer outro presidente moderno na história americana. Até o fim de 2012, ele concedeu 22 perdões e negou 1.119 pedidos, o que dá uma média de 1 perdão para cada 50 pedidos. A média de Ronald Reagan, na década de 80, era de 1 perdão para cada 3 pedidos. Embora o perdão presidencial não apague o crime dos antecedentes do condenado, ele permite que a pessoa readquira o direito de votar, de portar armas, de obter licenças para certos tipos de negócios e de adotar filhos.

 

 

 

 

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