Obama confirma que drone matou reféns da Al-Qaeda no Paquistão

Obama confirma que drone matou reféns da Al-Qaeda no Paquistão

Lúcia Guimarães

23 de abril de 2015 | 11h58

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O Presidente Barack Obama confirmou, nesta quinta-feira, 23, que um refém norte-americano e um italiano foram mortos num ataque de drone no território do Paquistão, na fronteira com o Afeganistão. A Casa Branca divulgou um comunicado sobre o incidente, ocorrido em janeiro. Obama apresentou suas “profundas desculpas” e assumiu a responsabilidade pelo erro que provocou a morte não intencional de inocentes. A operação em janeiro não visava resgatar os reféns e sim eliminar terroristas. Ahmed Farouq, cidadão norte americano que se juntou à Al Qaeda, foi morto no mesmo ataque. Um ataque separado ao mesmo local, também em janeiro, matou Adam Gadahn  outro cidadão norte-americano que ocupava alta posição na hierarquia.  Obama disse que a inteligência disponível não apontava para nenhum sinal dos reféns no local e prometeu uma investigação para apurar as falhas na operação.

Warren Weinstein

Warren Weinstein

O Doutor Warren Weinstein estava em poder da Al Qaeda desde 2011, quando foi capturado em sua casa na cidade paquistanesa de Lahore. Ele trabalhava em assistência a programas de desenvolvimento. Em um vídeo divulgado pela Al Qaeda, em 2013, o refém norte-americano se disse “totalmente abandonado” pelo governo em Washington. A família de Weinstein só foi comunicada de sua morte ontem. A viúva do refém, Elaine Weinstein, também divulgou um comunicado em nome da família, criticando a falta de assistência de  “elementos” do governo norte-americano e acusando o governo do Paquistão de tratar a captura de seu marido como um incômodo, não como prioridade.

Giovanni Lo Porto

Giovanni Lo Porto

O italiano Giovanni Lo Porto e também trabalhador humanitário foi capturado pela Al Qaeda em 2012.

O Presidente Obama disse que divulgou a informação porque acredita que “é importante dar ao povo americano com toda a informação possível sobre as operações contraterroristas, especialmente quando tiram a vida de nossos concidadãos.” Mas o  Wall Street Journal, que soube da confirmação recente sobre a morte dos reféns, avisou a Casa Branca que ia divulgar reportagem sobre o assunto hoje. A reportagem entrou no website do jornal minutos antes do anúncio do presidente.

O governo do Paquistão não quis comentar o ataque de drone em seu território. A continuação de bombardeios por drones é extremamente impopular entre os paquistaneses, com suas  inúmeras vítimas civis, e é uma fonte de revolta anti-americana.A ACLU, Associação Americana de Liberdades Civis, divulgou um comentário, contestando a afirmação do presidente Obama sobre as regras estritas de engajamento por drones, afirmando que as repetidas mortes de civis inocentes são um sinal de que há uma diferença entre as regras e seu cumprimento. Outra questão controversa é o assassinato de cidadãos americanos, no caso os dois terroristas da Al Qaeda. O governo Obama já admitiu ter dado ordens de assassinatos de portadores de passaporte americano acusados de terrorismo, o mais conhecido deles , o pregador Anwar al-Awlaki, nascido no Novo México, morto por um drone no Iêmen, em 2011.