Se esta rua fosse dele. Quarteirão onde morou MIles Davis vira “Miles Davis Way”

Lúcia Guimarães

27 Maio 2014 | 16h21

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Fotos: Lúcia Guimarães

Antes tarde do que mais tarde ainda.

Miles Davis morreu há 23 anos. Na segunda-feira, 26 de maio, o gigante do jazz americano teve os seus 88 anos comemorados com uma homenagem na rua onde morava em Manhattan. O quarteirão da Rua 77, entre a Amsterdam Avenue e Riverside Drive, onde Miles morou no prédio de número 312, passa a se chamar Miles Davis Way. A cerimônia foi na segunda-feira, com a participação do sobrinho do cantor, o percussionista Vincent Wilburn. Mas na terça-feira, 27,  esta repórter surpreendeu uma equipe da Prefeitura instalando as placas para valer.

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Foto: Lúcia Guimarães

Os funcionários municipais ficaram intrigados com o interesse de alguns passantes (estrangeiros como eu) que pararam para fotografar. Uma nova-iorquina afroamericana me perguntou: “Quem é este tal de Miles Davis?”. O porteiro em pé ao lado, com sotaque da Europa Oriental, sacudiu a cabeça. Respondi: “Apenas um dos maiores músicos americanos do século passado.” Percebi que ela não teria o menor interesse em me ouvir contar que tinha assistido Miles ao vivo em clubes de Manhattan, invariavelmente tocando de costas para o público. E que entrei de penetra, contrabandeada com uma equipe de TV holandesa, em sua última festa de aniversário, seus 65 anos comemorados no Central Park.

No quarteirão arborizado, há quem  se lembra do homem de voz rouca que sussurrava “Tudo bem?” para vizinhos que mal conhecia. E não é preciso ter morado na Rua 77 para lembrar do tal do Miles Davis, aqui na companhia magistral de Wayne Shorter, Herbie Hancock, Ron Carter e Tony Williams em Karlsruhe, Alemanha, em 1967.