As surpresas do novo Congresso americano
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As surpresas do novo Congresso americano

O número recorde de candidatas mulheres fez com que as eleitas também rompessem barreiras raciais, de gênero e de credo

Redação Internacional

07 Novembro 2018 | 16h01

WASHINGTON – A votação para decidir o controle da Câmara dos Deputados quebrou diferentes marcos. Eram 237 mulheres, mais do que nunca antes. Entre as eleitas, estão a mais jovem na história da Casa e diversas outras que quebraram barreiras raciais, de gênero e de credo.

Veja alguma das candidatas vitoriosas:

A mais jovem

Alexandria Ocasio-Cortez é a mulher mais jovem eleita ao Congresso dos EUA (Foto: Rick Loomis/Getty Images/AFP)

Alexandria Ocasio-Cortez é a mulher mais jovem eleita ao Congresso dos EUA (Foto: Rick Loomis/Getty Images/AFP)

Alexandria Ocasio-Cortez (democrata, Nova York)

Aos 29 anos de idade, Alexandria Ocasio-Cortez é a mulher mais jovem eleita ao Congresso dos EUA, tirando o recorde da republicana Elise Stefanik. Ela assustou muitos na política de Nova York quando ela derrotou o candidato republicano Joe Crowley, com 10 mandatos, nas primárias democratas em setembro.

A vitória de Alexandria fez com que ela fosse o rosto nacional dos jovens democratas descontentes (geralmente mulheres e minorias) tentando levar o partido para a esquerda. Ela começou na política como uma funcionária na campanha do senador Bernie Sanders e se considera uma “democrata socialista”, defendendo renda mínima nacional de US$ 15 e um sistema de saúde universal.

A ‘ausente’ eleita

Abby Finkenauer foi apelidada pelos republicanos como “Abby Ausente” por não ir a algumas votações na Assembleia Legislativa (Foto: KC McGinnis/Reuters)

Abby Finkenauer foi apelidada pelos republicanos como “Abby Ausente” por não ir a algumas votações na Assembleia Legislativa (Foto: KC McGinnis/Reuters)

Abby Finkenauer (democrata, Iowa)

Abby Finkenauer se tornou a segunda mulher mais jovem eleita ao Congresso. Também aos 29 anos, ela é um pouco mais de 10 meses mais velha que Alexandria. Antes de trabalhar por quatro anos na Assembleia Legislativa de Iowa, Abby foi de uma organização sem fins lucrativos que defende um maior salário mínimo e a expansão da licença familiar.

Republicanos, incluindo o presidente Donald Trump, apelidaram-na de “Abby Ausente” por não ir a algumas votações na legislatura.

As novas caras indígenas

Debra Haaland se tornou uma das três primeiras nativo-americanas eleitas no Congresso (Foto: Brian Snyder/Reuters)

Debra Haaland se tornou uma das três primeiras nativo-americanas eleitas no Congresso (Foto: Brian Snyder/Reuters)

Debra Haaland (democrata, Novo México)

Debra Haaland se tornou uma das primeiras nativo-americanas a se eleger ao Congresso, junto da republicana Yvette Herrel, também do Novo México, e a democrata do Kansas Sharice Davids. Anteriormente, só havia um indígena no Congresso: Ben Nighthorse Campbell, que representou o Colorado por três mandatos no Senado.

Debra derrotou um grande número de candidatos latinos nas primárias democratas. Ex-presidente do Partido Democrata do Novo México, ela prometeu lutar por energia renovável, reforma imigratória e um aumento no salário mínimo. Ela também prometeu combater a pobreza dos povos nativo-americanos e a mudança climática.

A primeira índia LGBT

Sharice Davids é a primeira nativo-americana LGBT do Congresso e a primeira lésbica eleita pelo Kansas (Foto: Whitney Curtis/Getty Images/AFP)

Sharice Davids é a primeira nativo-americana LGBT do Congresso e a primeira lésbica eleita pelo Kansas (Foto: Whitney Curtis/Getty Images/AFP)

Sharice Davids (democrata, Kansas)

Sharice Davids será a primeira nativo-americana LGBT do Congresso norte-americano e a primeira lésbica eleita pelo Kansas. Aos 38 anos de idade, ativista, advogada e novata da política, já ganhou atenção mundial como parte de uma leva plural de candidatos democratas.

Ela foi criada pela mãe, ex-funcionária do Exército e do serviço postal dos EUA. Sharice levou 8 anos para conseguir um diploma em direito pela Universidade de Cornell. Ela foi fellow da Casa Branca entre 2016-2017 e trabalhou para o Departamento de Transportes dos EUA.

Uma negra de Massachusetts

Ayanna Pressley é a primeira mulher negra eleita por Massachusetts para a Câmara dos Deputado (Foto: Joseph Prezioso/AFP)

Ayanna Pressley é a primeira mulher negra eleita por Massachusetts para a Câmara dos Deputado (Foto: Joseph Prezioso/AFP)

Ayanna Pressley (democrata, Massachusetts)

Ayanna Pressley é a primeira mulher negra eleita por Massachusetts para a Câmara dos Deputados. Aos 44 anos, a democrata foi eleita com pouca oposição depois da inesperada derrota ao republicano Michael Capuano, com 10 mandatos, nas primárias do estado. O seu distrito em Boston, já representado pelo ex-presidente John F. Kennedy, é agora o primeiro no Estado em que minorias compõem a maior parte do eleitorado.

Em 2009, Ayanna foi a primeira afro-americana a ser eleita para a Câmara Municipal de Boston. Antes disso, trabalhou como auxiliar do republicano Joseph P. Kennedy e do senador John Kerry.

Ideologicamente, Pressley é como o candidato que derrotou nas primárias: liberal e progressista, como se considera. Mas o adversário, branco e de classe média, não era parecido como o eleitorado do seu distrito, apesar de a própria Pressley ter se enfurecido com a ideia de que raça seria um fator decisivo na disputa eleitoral. Ela deixou clara a importância da diversidade nas casas de poder da nação. “Eu realmente acho que a nossa democracia é fortalecida por um engajamento de novas e diferentes vozes”, disse em outubro a um jornal de faculdade em Boston.

A muçulmana somali

Ilhan Omar é a primeira legisladora americana nascida na Somália, conquistando o seu lugar na história ao também ser uma das primeiras mulheres muçulmanas no Câmara dos Deputados (Foto: Brian Snyder/REUTERS)

Ilhan Omar é a primeira legisladora americana nascida na Somália, conquistando o seu lugar na história ao também ser uma das primeiras mulheres muçulmanas no Câmara dos Deputados (Foto: Brian Snyder/REUTERS)

Ilhan Omar (democrata, Minnesota)

A primeira legisladora americana nascida na Somália conquistou o seu lugar na história ao ser eleita para o Congresso como uma das primeiras mulheres muçulmanas. Ilhan, uma democrata que trabalhou durante um mandato na Assembleia Legislativa de Minnesota, ganhou com folga as eleições dessa terça-feira.

Ela nasceu na Somália, na África, mas passou grande parte da infância em um campo de refugiados no Quênia por causa da guerra civil que assola o seu país. Ela imigrou para os EUA aos 12 anos e aprendeu inglês sozinha assistindo TV americana, posteriormente morando em Minneapolis, cidade com a maior população somali fora do leste africano.

A vitória de Ilhan foi apertada porque o distrito que representa é majoritariamente liberal. Mas a sua campanha conseguiu se desviar de algumas questões, incluindo alegações de que ela usou fundo de campanha da Assembleia Estadual para bancar gastos pessoais, como viagem internacional e pagamento de advogado para o divórcio. Ela negou as alegações e disse que os legisladores republicanos estavam “usando dinheiro dos contribuintes para assediar a candidata muçulmana”.

A palestina

Rashida Tlaib é uma das duas muçulmanas eleitas nessas eleições e ganhou a vaga porque os republicanos não submeteram um candidato (Foto: Rebecca Cook/Reuters)

Rashida Tlaib é uma das duas muçulmanas eleitas nessas eleições e ganhou a vaga porque os republicanos não submeteram um candidato (Foto: Rebecca Cook/Reuters)

Rashida Tlaib (democrata, Michigan)

Quando Rashida Tlaib ganhou as primárias democratas do seu distrito em Detroit, os seus parentes na Cisjordânia felicitaram a democrata com uma mistura de orgulho com esperança de que ela pudesse ganhar o cargo de deputada dos EUA, onde o governo é visto como hostil a muçulmanos e à causa palestina. A vitória dela à Câmara dos Deputados foi garantida porque os republicanos nem submeteram um candidato. Rashida e a somali Ilhan são as primeiras muçulmanas do Congresso americano.

Rashida é a mais velha dentre 14 irmãos e é uma advogada alinhada com a ala liberal do Partido Democrata. Ela disse que, se eleita, lutaria por salários mais altos e maiores proteções aos trabalhadores. Primeira muçulmana a trabalhar na Assembleia Legislativa de Michigan, Rashida procurou defender os pobres, ficou no encalço de refinarias e de um bilionário que ela acusou de estar poluindo os bairros da cidade. / AP