Casa da infância de Trump vira palco para histórias de imigrantes
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Casa da infância de Trump vira palco para histórias de imigrantes

Imóvel no bairro nova-iorquino do Queens está disponível para locação no Airbnb após ter sido leiloado em março; organização Oxfam levou refugiados ao local onde o republicano viveu até os 4 anos para eles falarem de suas relações com os EUA

Redação Internacional

18 Setembro 2017 | 12h18

NOVA YORK – A casa onde o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, passou a primeira fase de sua infância em Nova York recebeu novos ocupantes no fim de semana: refugiados que compartilharam suas histórias para chamar atenção para a crise migratória às vésperas da Assembleia-Geral das Nações Unidas, na qual o republicano fará sua estreia na organização.

O imóvel de três andares ao estilo Tudor, no Queens, foi construído pelo pai do magnata, Fred, em 1940 e agora está disponível para locação através do site Airbnb ao custo de US$ 725 por noite – a casa foi arrematada por um comprador anônimo US$ 2,14 milhões em março, na segunda vez em que foi vendida desta forma.

Os imigrantes Abdi Iftin (E), da Somália, Uyen Nguyen, do Vietnã, Eiman Ali, da Somália, e Ghassan al-Chahada, da Síria, passaram o dia na primeira casa em que Trump morou (AP Photo/Mary Altaffer)

Os imigrantes Abdi Iftin (E), da Somália, Uyen Nguyen, do Vietnã, Eiman Ali, da Somália, e Ghassan al-Chahada, da Síria, passaram o dia na primeira casa em que Trump morou (AP Photo/Mary Altaffer)

A organização internacional antipobreza Oxfam alugou a residência no sábado e convidou quatro refugiados para passarem o dia no local e conversarem com jornalistas. “Nós queremos enviar uma mensagem forte para Trump e os líderes mundiais de que eles devem fazer mais para receber os refugiados”, disse Shannon Scribner, diretor interino do Departamento Humanitário da Oxfam América.

Trump morou nesta casa localizada em uma rua arborizada de moradias unifamiliares até os quatro anos, quando sua família se mudou para outro imóvel que seu pai havia construído nas proximidades.

Em um quarto no andar superior, Eiman Ali, de 22 anos, observava o piso de madeira escura e uma cópia do livro “Trump: A Arte da Negociação” em uma mesa próxima e questionava sobre o residente anterior da casa.

“Saber que Donald Trump esteve aqui aos quatro anos faz eu pensar onde estava com a mesma idade”, disse Eiman, com seu rosto sorridente envolvido por um hijab cinza escuro. “Somos crianças criadas para serem cidadãos produtivos, que tem estes sonhos e esperanças.”

A somali Eiman Ali disse ter ficado frustrada pelo presidente americano 'falar tão francamente contra sua comunidade' (AP Photo/Mary Altaffer)

A somali Eiman Ali disse ter ficado frustrada pelo presidente americano ‘falar tão francamente contra sua comunidade’ (AP Photo/Mary Altaffer)

Eiman tinha três anos quando chegou aos EUA vinda do Iêmen, para onde seus pais tinham fugido inicialmente da guerra na Somália, país de origem da família. Ela disse que tinha uma visão de Trump como um personagem divertido em “O Aprendiz”, mas que hoje mudou sua opinião.

“Ver alguém que fala tão francamente contra a minha comunidade se tornar o presidente dos Estados Unidos foi muito impressionante e doloroso, porque eu investi muito neste país”, reforçou.

No fim do corredor, o sírio Ghassan al-Chahada, de 41 anos, que chegou aos EUA como refugiado com sua mulher e seus três filhos em 2012, estava sentado em um quarto com beliches e uma placa indicando que se tratava do cômodo usado pelo presidente na infância.

“Antes do início do conflito na Síria, nós tínhamos o sonho de vir para os EUA”, disse Chahada. “Para nós, foi a realização de um sonho.”

O sírio Ghassan al-Chahada sempre sonhou em viver nos EUA; hoje em razão da medida que proíbe cidadãos do seu país de entrarem em solo americano, ele desistiu de visitar sua família (AP Photo/Mary Altaffer)

O sírio Ghassan al-Chahada sempre sonhou em viver nos EUA; hoje em razão da medida que proíbe cidadãos do seu país de entrarem em solo americano, ele desistiu de visitar sua família (AP Photo/Mary Altaffer)

Chahada disse que a sua vida mudou, no entanto, quando Trump assinou o decreto barrando a entrada de pessoas da Síria e de outros cinco países de maioria muçulmana nos Estados Unidos. “Eu tinha esperança de que conseguiria meu green card e poderia visitar meu país”, explicou. “Mas desde que Trump foi eleito, eu não me arrisco a deixar este país e, depois, não ser autorizado a voltar.”

Olhando pela janela em direção ao jardim da casa, ele pensava em tudo que gostaria de dizer ao presidente. “Eu o aconselharia a se lembrar (da infância), a pensar em como se sentia quando dormia neste quarto”, disse Chahada. “Se ele puder ficar em sintonia com quem ele era quando criança – e com a compaixão e a misericórdia que as crianças têm -, eu diria que ele é uma grande pessoa.” / AP