Em ato pró-imigrantes, igreja nos EUA ‘prende’ Família Sagrada
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Em ato pró-imigrantes, igreja nos EUA ‘prende’ Família Sagrada

Reverendo diz que José e Maria não são diferentes de qualquer família imigrante fugindo da violência em seu país de origem

Redação Internacional

04 Julho 2018 | 18h23

No coração da cidade de Indianápolis, no gramado onde a Catedral da Igreja de Cristo monta seu presépio todos os anos, está a imagem da família sagrada. Mas em volta dela não há ovelhas, manjedoura, reis magos ou anjos, apenas uma cerca de arame em volta do casal e do recém-nascido.

Do lado de dentro da cerca, Maria está sentada em um banco de madeira segurando o menino Jesus em seus braços e José está em pé, ao seu lado, olhando para baixo.

Protesto colocou Família Sagrada em ‘cela’. Foto: Christ Church Cathedral Indianapolis/via REUTERS

A Catedral da Igreja de Cristo, uma das igrejas mais antigas em Indianápolis, está protestando contra a detenção de famílias sob a política de tolerância zero da administração Trump, que tem perseguido o maior número possível de pessoas que cruzam a fronteira ilegalmente dos EUA. Advogados do Departamento de Justiça afirmaram na última semana que famílias poderiam ser detidas por mais de 20 dias – limite fixado por lei – diante de um acordo judicial.

O reverendo Stephen Carlsen, decano e reitor da igreja, disse que essa informação levou a igreja a criar a cena da família sagrada “detida”. José e Maria não são diferentes de qualquer família imigrante fugindo da violência em seu país de origem, disse Carlsen. De acordo com a Bíblia, o casal fugiu para o Egito após a ordem do rei Herodes de executar todos os meninos em Belém de até 2 anos.

“As pessoas se esquecem o que essa cena representa”, afirmou Carlsen ao jornal Washington Post. “Aquele era um casal sem teto que não era bem-vindo em nenhum lugar, e encontrou refúgio em um celeiro. E foi desse casal que o menino Jesus Cristo nasceu.”

“A lição que tiramos dessas histórias é a mesma que levamos de nossas aulas de ética religiosa”, acrescentou Carlsen. “O coração de Deus está sempre com aqueles que estão à margem, que são vulneráveis e não têm voz.”

A Igreja Episcopal, em uma cidade e em um condado democrata no meio de um Estado republicano, é conhecida por ser politicamente ativa e tem sido uma das mais vozes críticas contra a política linha-dura da administração Trump com relação à imigração.

“Essa questão não é nova para nós”, disse Carlsen. “Temos trabalhado nisso como pastoral e também elevando nossas vozes pelo bem das famílias que têm chegado ao nosso país buscando segurança e um futuro para suas crianças.”

No último fim de semana, a igreja participou da marcha em protesto contra a separação das famílias no Estado. Centenas foram às ruas em todo o país. Em 2014, a igreja estava entre as várias organizações religiosas que realizaram casamentos gays depois que a proibição do Estado ao casamento entre pessoas do mesmo sexo foi considerada inconstitucional.

O protesto da igreja foi anunciado em um post publicado no Twitter com as hastags #EveryFamilyIsHoly e #CadaFamiliaEsSagrada. / W. POST

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