Estrela de Sex and the City enfrenta governador de NY em prévias democratas
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Estrela de Sex and the City enfrenta governador de NY em prévias democratas

Muitos reconhecem que, ainda que não tenha a experiência de um mandato eletivo, Cynthia Nixon fez uma campanha séria e combativa

Redação Internacional

14 Setembro 2018 | 05h00

Apesar dos prognósticos contrários, ela continua a acreditar: a atriz de Sex and the City Cynthia Nixon, que interpretou a advogada Miranda, espera se beneficiar da onda antielite que agita o campo democrata para destronar o governador de Nova York, Andrew Cuomo, em uma das últimas primárias democratas antes das eleições de meio de mandato em novembro na noite desta quinta-feira, 13.

A última pesquisa, realizada na semana passada pelo instituto Siena College, não é muito animadora para Cynthia, porém: Cuomo, de 60 anos, à frente do Estado de Nova York desde 2011 e filho do muito respeitado governador Mario Cuomo (morto em 2015), aparece vitorioso, com 63% das preferências, contra 22% para a atriz, de 52 anos.

Ainda assim, Cynthia Nixon não se cansa de repetir que, nas últimas semanas, as sondagens não conseguiram antecipar a vitória de vários candidatos dessa mesma corrente, graças às mulheres e às minorias. Em caso de vitória, a atriz teria fortes chances de se tornar governadora em 6 de novembro, já que Nova York é um reduto democrata.

“Andrew Cuomo sabe muito bem que essa campanha é mais apertada do que mostram as pesquisas, caso contrário não gastaria meio milhão de dólares por dia contra nós”, disse ela na terça-feira.

Muitos reconhecem que, ainda que não tenha a experiência de um mandato eletivo, Cynthia Nixon fez uma campanha séria e combativa.

Há anos militante pelo ensino público e pelos direitos LGBT, essa mãe de três filhos, que se casou com uma mulher depois de ter sido casada com um homem, percorreu o Estado defendendo a legalização da maconha recreativa, a reforma do metrô nova-iorquino, a gratuidade da educação, a queda no preço dos aluguéis, um seguro de saúde financiado pelo Estado e uma tributação mais pesada para os mais ricos.

Assim como outros candidatos “antiestablishment”, Cynthia Nixon rejeitou qualquer financiamento de empresas para sua campanha.

Sem poder competir com os “spots” na televisão divulgados por Cuomo, ela se apoiou nas redes sociais para passar sua mensagem e estimular os jovens a irem votar.

E ela não se cansa de atacar seu adversário – um dos governadores mais ativos anti-Trump – por sua conivência com Wall Street e com os grandes empresários, em detrimento do povo e das minorias.

Cynthia espera que as últimas gafes da campanha do atual governador levem uma parte dos eleitores a escolhê-la.

No fim de semana, o Partido Democrata nova-iorquino, controlado por Cuomo, enviou para milhares de eleitores judeus um panfleto acusando Cynthia Nixon de ser negligente em relação ao antissemitismo – ainda que seus dois filhos do primeiro casamento sejam criados na tradição judaica.

Tanto o governador quanto o partido reconheceram que a acusação era infundada e, agora, Cuomo está penando para tentar convencer que ele não aprovou, pessoalmente, esse golpe baixo.

Ontem, algumas organizações judias pediram ao jornal The New York Times que retirasse sua convocação de voto em Cuomo, publicada no fim de agosto. Uma posição que o jornal justificou pela “inexperiência de Nixon”.

Nesse clima tenso, apesar de terem posições convergentes com a atriz, vários caciques do partido, como o senador independente Bernie Sanders e o prefeito de Nova York, Bill de Blasio, preferiram não se posicionar nessa corrida eleitoral.

Cynthia Nixon trabalhou por muitos anos com a Aliança para a Educação de Qualidade, um grupo de defesa da escola pública apoiado pelo sindicato dos professores. Ela começou a se envolver com a política quando o então prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, propôs cortes orçamentários para a escola pública, no início dos anos 2000.

Sua primeira prisão ocorreu do lado de fora da prefeitura, em 2002. Desde então, ela se tornou uma incansável defensora do ensino público, com especial foco no combate à segregação.

Em seguida, encampou a defesa dos direitos LGBT. Um de seus três filhos é transgênero. Em 2010, participou ativamente de uma campanha pública para remover dos cargos os políticos de Nova York que tivessem votado contra a igualdade de direitos no casamento.

O eleitorado de Nixon é participativo e combativo. Seus eleitores costumam se apresentar com a frase “Eu sou Miranda, futura governadora de Nova York”, em referência ao seu papel na aclamada série. / AFP, W.POST e NYT