Os temas que marcam as eleições de meio de mandato nos EUA
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Os temas que marcam as eleições de meio de mandato nos EUA

A campanha para as eleições legislativas desta terça-feira, 6, nos EUA foi marcada por temas polêmicos, como imigração, violência e o movimento #MeToo, sempre com a figura onipresente de Donald Trump

Redação Internacional

05 Novembro 2018 | 14h59

A campanha para as eleições de meio de mandato desta terça-feira, 6, nos Estados Unidos foi marcada por temas polêmicos, como imigração, violência e o movimento #MeToo, sempre com a figura onipresente de Donald Trump.

Trump faz campanha para Marsha Blackburn. Foto: Alex Wong/Getty Images/AFP

Trump, Trump, Trump
Embora seu nome não apareça nos boletins de voto, Donald Trump está, como ele mesmo diz, no centro dessas  eleições, que tradicionalmente se transformam em um referendo sobre a gestão presidencial. Mas, explosivo e iconoclasta, o magnata levou essa tendência a outro nível.

“Votar em Marsha é, de fato, votar em mim”, disse Trump no Tennessee, ao lado da candidata republicana ao Senado, Marsha Blackburn. O presidente multiplica suas ações de campanha, ciente de que, se o seu partido perder o controle do Congresso para os democratas, sua gestão ficará paralisada.

Enquanto isso, os democratas esperam que a aversão que muitos eleitores têm em relação ao magnata cause um aumento na participação eleitoral, quando normalmente as eleições de meio mandato não despertam grandes paixões.

 

Migrantes seguem em caravana. Foto: ALFREDO ESTRELLA / AFP

 

Imigração
O envio de soldados para a fronteira com o México para evitar a “invasão” de migrantes da América Central que avançam para os Estados Unidos em uma caravana, a promessa de acabar com o direito de cidadania por nascimento, histórias escabrosas de imigrantes assassinos: Trump e os republicanos decidiram colocar a imigração no coração da sua campanha.

A questão da imigração é uma das principais preocupações dos eleitores republicanos e a pressão para ir às urnas é fundamental em um votação em que a participação será essencial.

Violência
O fim da campanha foi ofuscado pelo ataque antissemita que deixou 11 mortos em uma sinagoga em Pittsburgh, que ocorreu depois de uma perseguição tensa para capturar o responsável pelo envio de pacotes com explosivos para várias personalidades democratas, incluindo o ex-presidente Barack Obama, a ex-secretária de Estado e ex-candidata à presidência Hillary Clinton e o investidor George Soros.

Esses picos de violência logo antes da eleição de terça-feira colocaram sobre a mesa a agressividade do discurso de Trump e seus efeitos em um país profundamente dividido.

Trump condenou o ataque antissemita, mas foi menos enérgico sobre o caso dos pacotes. De qualquer forma, ele retomou a campanha imediatamente e a crítica ácida de seus oponentes.

Mulheres
Após o surgimento do movimento #MeToo para denunciar os abusos sexuais e manifestações de mulheres contra Trump, as eleitoras e candidatas estão no centro do debate após a chegada do magnata à Casa Branca.

Os americanos parecem particularmente motivados para ir às urnas, enquanto um grupo de mulheres moderadas de bairros ricos e diploma universitário, revoltadas com a retórica presidencial, conseguiu, de acordo com as pesquisas, inclinar a balança em favor dos democratas quando a corrida parecia apertada.

Além disso, um número recorde de mulheres, 200 democratas e 60 republicanas, são candidatas ao Congresso, onde atualmente ocupam 20% dos assentos.

Economia
Diante da “guerra comercial” em que Trump embarcou, a renegociação de tratados internacionais, o sólido crescimento econômico e o pleno emprego, a economia também foi um dos temas centrais da campanha.

Os setores da mineração e industrial apreciam as medidas protecionistas de Trump. Mas os agricultores sofrem as represálias que os parceiros dos Estados Unidos aplicam a essa política, ainda que alguns produtores rurais não retiraram seu apoio ao presidente, dando crédito a sua afirmação de que as dificuldades são temporárias, e que logo a recuperação virá.

Saúde
Os democratas insistem numa mensagem poderosa para os eleitores: se os republicanos reforçarem o controle do Congresso, eles destruirão sua cobertura de saúde, uma questão importante em um país onde não há sistema de saúde universal.

A reforma promovida pelo presidente Barack Obama permitiu que milhões de pessoas tivessem acesso à cobertura de saúde, e Trump não conseguiu cumprir sua promessa de campanha de acabar com o sistema conhecido como Obamacare.

Cientes de que esta é uma das principais preocupações dos eleitores em todos os setores, os republicanos prometeram, tardiamente, que garantirão que as pessoas com doenças crônicas tenham acesso a um seguro de saúde acessível. “É uma mentira”, disse Obama na sexta-feira. / AFP