Quatro lições das eleições de terça-feira nos EUA
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Quatro lições das eleições de terça-feira nos EUA

Zonas rurais continuam com Trump, campanhas virais ganharam fôlego, mas morreram na praia, opositores ao aborto têm vitória expressiva e o efeito da mobilização das mulheres

Redação Internacional

07 Novembro 2018 | 16h07

Trump perde nas cidades, mas mantém base tradicional

Os resultados divergentes na Câmara e no Senado expuseram uma separação ainda mais profunda entre as comunidades rurais e as cidades e subúrbios americanos.

A vitória democrata na Câmara veio de enclaves densamente povoados, educados e diverso espalhados pelo país, em grandes cidades liberais, como Nova York e Filadélfia, e também em centros tradicionais republicanos, como Houston e Oklahoma City. A base do Partido Republicano nesses distritos entrou em colapso, com eleitores brancos com ensino superior se juntando a comunidades minoritárias para repudiar Trump e seu partido.

A vitória republicana no Senado, por sua vez, veio principalmente de redutos conservadores, onde a popularidade de Trump permaneceu estável ou cresceu desde 2016. Com eleitores rurais se inclinando mais para a direita e o Partido Democrata, em todo o país, seguindo mais à esquerda, democratas do Senado como Claire McCaskill, do Missouri, e Joe Donnelly, de Indiana, não conseguiram sustentar as coalizões políticas que os elegeram no passado.

Derrota das estrelas virais

Esse foi o ano das campanhas de vídeos virais – anúncios poderosos que ajudaram a impulsionar os perfis e a arrecadação de fundos para candidatos democratas em todo o país. Mas isso não assegurou vitórias. Vários candidatos da Câmara, cujas biografias convincentes e vídeos bem elaborados ajudaram a colocá-los no radar nacional, sofreram derrota na terça-feira, incluindo Randy Bryce, em Wisconsin, Amy McGrath, em Kentucky, e M.J. Hegar, no Texas. Os vídeos virais não se provaram contraproducentes, mas às vezes seu público simplesmente não é o
eleitorado que se pretendia alcançar.

Grande vitória dos oponentes ao direito do aborto

Os republicanos tiveram uma de suas mais importantes vitórias na terça-feira ao eleger vários novos senadores que se opõem ao direito do aborto, um avanço que pode ajudar o partido em uma de suas questões fundamentais. Com as vitórias de candidatos ao Senado em Indiana, Dakota do Norte e Missouri, a maioria republicana no Senado ficará definitivamente mais à direita nessa questão. Os votos de duas senadoras que apoiam o direito ao aborto – Susan Collins, do Maine, e Lisa Murkowski, do Alaska – não serão mais tão importante quando chegar a hora de confirmar
juízes e aprovar novas leis.

Embora o poder de uma maioria anti-aborto no Senado seja mais aparente nos processos de confirmação judicial, não está claro como os novos senadores podem afetar os objetivos políticos de longo prazo dos conservadores, como o fim do financiamento do programa federal Planned Parenthood, uma tarefa quase impossível com os democratas no controle da Câmara.

O ano da mulher: o que isso significou

Mulheres, concorrendo a um cargo eletivo em número recorde este ano, ajudaram os democratas a retomarem o controle da Câmara dos Deputados. Suas vitórias foram frutos de dois anos de ativismo que começou com a marcha das mulheres pelo país no dia seguinte à posse de Trump. Além da mobilização, as mulheres nos EUA se inscreveram para concorrer a um cargo político ou apoiaram aquelas que decidiram fazer isso.

Pensilvânia, que não tinha nenhuma mulher em sua delegação no Congresso, elegeu quatro este ano. Em New Jersey, onde três cadeiras foram para os democratas, apenas uma mulher, Mikie Sherril, conseguiu uma vitória com a maior margem de votos, em um distrito onde Trump venceu em 2016. Em Iowa, Estado onde Trump venceu nas presidenciais, Abby Finkenauer e Cindy Axne retomaram cadeiras dos republicanos.

Para os governos de Estado, no entanto, os eleitores se mostraram relutantes para eleger governadoras. Apesar das vitórias de Laura Kelly, no Kansas, Gretchn Whitmer, em Michigan, Michelle Lujan Grisham, de Novo México, elas não aclançaram a marca recorde de nove, em 2004. Apesar de votar para legisladoras, eleitores tem sido mais hesitantes em escolher mulheres como chefes do executivo. / NYT