Russos apelam até para Beyoncé nos anúncios no Facebook para dividir americanos
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Russos apelam até para Beyoncé nos anúncios no Facebook para dividir americanos

Legisladores democratas revelam mais de 3 mil anúncios da rede social comprados por um grupo russo 'para criar caos político e ferir a democracia americana'

Redação Internacional

10 Maio 2018 | 20h30

WASHINGTON – Legisladores democratas da Comissão de Inteligência da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos revelaram nesta quinta-feira, 10, mais de 3 mil anúncios do Facebook comprados por um grupo russo “para criar caos político e ferir a democracia americana”, segundo os congressistas.

+ A liberdade de expressão está sob ataque

Esses anúncios, publicados no Facebook entre 2015 e 2017, foram pagos pela empresa Internet Research Agency, com sede em São Petersburgo (Rússia), acusada pelo procurador especial Robert Mueller de lançar “uma guerra informativa” contra as últimas eleições americanas de novembro de 2016.

Páginas do Facebook criadas por russos que abrangem todo o espectro político, desde “Blacktivist”, em defesa dos direitos da comunidade afro-americana, até “Heart of o Texas”, destinada a reunir gente com mentalidade conservadora, compraram milhares de anúncios nessa rede social.

Um exemplo da tática dos anúncios russos foi a promoção de uma espécie de campanha “pró-Beyoncé” e “anti-Beyoncé”, divulgadas ao mesmo tempo logo após a apresentação da artista no Super Bowl de 2016. Na ocasião, bailarinas da cantora se apresentaram usando roupas semelhantes aos uniformes do Partido dos Panteras Negras, movimento contra o racismo na década de 60 nos EUA.

Na campanha russa no Facebook, parte dos anúncios era destinada aos usuários “com comportamento pró-negros”. Os contrários à cantora eram direcionados a usuários que estudavam para se tornar policiais ou cujos nomes de usuário se assemelhavam aos títulos militares como major, coronel, entre outros.

Outra página, chamada “Exército de Jesus”, que tinha como imagem de perfil Jesus lutando contra Satã, encorajou os eleitores a escolher um presidente com “moral piedosa”, segundo a imprensa americana.

Assim, muitos desses anúncios, comprados por russos que se passaram por americanos, não respaldaram um candidato específico, mas propagaram mensagens incendiárias sobre temas sensíveis, como a imigração e o racismo.

Os legisladores mostraram que os anúncios revelados hoje tiveram uma efetividade e alcance distinto em cada caso, desde centenas de visualizações até mais de um milhão.

Até setembro, quando identificou 470 contas que compraram 3 mil anúncios por mais de US$ 100 mil em um período de dois anos, o Facebook negou reiteradamente que os russos exploraram sua plataforma.

Desde então, a companhia com sede na Califórnia (EUA) diz que adotou uma postura “muito mais agressiva” a respeito dos anúncios sobre política, obrigando os compradores a revelar identidade e localização.

Dos 13 indivíduos contra os quais apresentou acusações o procurador especial Mueller em fevereiro, 12 trabalharam em algum momento para Internet Research Agency.

Segundo o procurador especial, os acusados se passaram por ativistas americanos e usaram identidades fictícias em redes sociais para entrar em contato com cidadãos dos EUA e pedir apoio em diferentes causas políticas, como por exemplo, ajudar o presidente americano, Donald Trump, a “reforçar as fronteiras”. / Com EFE e AFP

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