Chávez congela preços para conter inflação

Estadão

15 de fevereiro de 2012 | 19h56

Diante da consolidação de Henrique Capriles como o candidato da oposição venezuelana nas eleições de outubro, o presidente Hugo Chávez deve oficializar nos próximos dias uma medida contra a inflação, um dos principais problemas apontados pela Mesa de Unidade Democrática em sua administração. O remédio adotado pelo líder bolivariano é conhecido dos venezuelanos: o congelamento e até a redução no preço de alguns produtos.

Na quinta-feira, Chávez anunciou que assinaria a lei que define o preço de 19 itens de higiene pessoal e alimentos nos próximos dias. O garrafão d’água mineral de cinco litros passará de 23 bolívares (R$ 9,23) para 12,45 (R$ 5), um recuo de 45,8%, segundo o diário El Universal.

O congelamento desses itens de alta procura – que inclui, além da água mineral, suco de frutas, sabonetes, papel higiênico, aparelhos de barbear e desodorantes – foi anunciado em novembro. Os preços praticados à época foram congelados até que a Superintendência Nacional de Custos e Preços (Sundecop) avaliasse qual o preço “justo”.

Antes do fim do prazo, que acaba neste mês, o governo acusava empresas multinacionais e locais de alimentos, como Pepsi, Coca-Cola, Unilever e Alimentos Polar, de especular sobre o valor cobrado por esses itens.

Analistas críticos do presidente argumentam que a medida foi motivada por tentativas fracassadas do chavismo de controlar a produção e a distribuição de alimentos, a partir da greve patronal que atingiu o país em 2001. A nacionalização, no entanto, tornou-se ineficaz no longo prazo e trouxe consequências colaterais indesejáveis, como o sucateamento da produção de alimentos e a corrupção.

Muitas empresas e fazendas foram nacionalizadas após a greve para criar um sistema alternativo de produção e distribuição de alimentos. “Isso acabou fracassando porque os produtores alinhados com o governo não eram eficazes”, disse ao Estado o analista Oscar Reyes, da Universidade Central da Venezuela. “Preferiam o subsídio à produção, o que acabou criando muita corrupção.”

Além disso, segundo o especialista, a qualidade dos alimentos distribuídos pelo governo era inferior, o que fez a busca por produtos da iniciativa privada ser maior. Com isso, o ágio cobrado ilegalmente crescia. “O governo percebeu, astutamente, que é mais fácil controlar os preços por lei do que tomar conta da cadeia produtiva”, explica Reyes. “Como os empresários geralmente têm medo do presidente, o obedecem. Com isso, os alimentos chegam mais baratos aos pobres, que são seus principais eleitores.” Para outro analista da UCV, Sadio Garavini, apesar do congelamento, os preços acabam sendo repassados para outros setores.

*Publicado em 15/02/2011 em O Estado de S. Paulo

 

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