Governo venezuelano adota “transparência conveniente” com doença de Chávez

Estadão

28 de fevereiro de 2012 | 15h46

O vice-presidente da Venezuela Elías Jaua anunciou há pouco que o presidente Hugo Chávez foi operado em Cuba. Segundo ele, a lesão na região pélvica do líder bolivariano foi extraída e ele está em boas condições físicas. Ainda de acordo com Jaua, Chávez deu a orientação de tratar com máxima transparência seu tratamento. Os resultados dos exames feitos em Cuba e a natureza da lesão, que segundo o próprio presidente tem alta probabilidade de ser um tumor maligno, devem ser divulgados nas próximas horas.

Se as promessas feitas no discurso de Jaua na Assembleia Nacional forem cumpridas, o governo venezuelano imprimirá uma mudança no tratamento dado à doença do presidente. Desde junho do ano passado, quando Chávez foi operado pela primeira vez, não se sabe qual órgão foi afetado pelo câncer. O clima de mistérios tem alimentado rumores frequentes sobre a saúde do presidente. Em diversas ocasiões, Chávez teve de ir a público desmentir boatos de que estaria internado.

Jornalistas críticos ao chavismo, como Nelson Bocaranda, foram acusados de lançar uma “campanha suja” contra o presidente. Na segunda-feira de carnaval, o blogueiro publicara que Chávez fora levado às pressas a Cuba, onde passara por uma nova cirurgia.  O  câncer teria se espalhado para o fígado e o presidente estaria tomando esteroides para disfarçar os efeitos da doença.  Chávez de fato foi para Cuba, mas não foi operado. Ele nega que tenha metástase.

No ano passado, quando o câncer foi descoberto, Chávez ficou vários dias isolado em Cuba, enquanto, na Venezuela, a desinformação crescia. Foi somente às vésperas da festa do bicentenário da independência venezuelano que o presidente, extremamente magro, foi à televisão e  anunciou a retirada do “tumor do tamanho de uma  bola de baseball”.  A  escolha pelo tratamento em Cuba revela um temor pela transparência que seria praxe em um hospital como o Sírio Libanês, aqui em São Paulo.

Segundo o jornal El Universal, assessores que trabalharam na campanha da presidente Dilma Rousseff estiveram em Caracas no começo de fevereiro para aconselhar os chavistas para a campanha presidencial de outubro. Entre os conselhos dados , estaria o de  tratar de maneira mais transparente a doença, assim como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem feito com seu câncer de laringe.

Na semana passada, antes de ir a Cuba, Chávez prometeu “dar todas as informações com transparência, conforme nos convier” sobre a doença. Ao que tudo indica, o líder bolivariano está disposto a ser um pouco mais transparente,  divulgando o básico, mas ocultando detalhes mais sensíveis da doença.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: