Diário de Caracas – parte 1

Estadão

15 Maio 2012 | 09h50

Logo na chegada à Venezuela, quando o avião se aproxima do Aeroporto Internacional Simón Bolívar, se vê dois dos principais símbolos do país: o petróleo e o beisebol. Com a aeronave em processo de descida, é possível ver navios-tanques e uma refinaria de frente para o Mar do Caribe. Em dois campos de beisebol, crianças praticam o esporte, o mais popular aqui.

O aeroporto fica em Maiquetia, uma cidade litorânea cercada por uma grande serra. Em um primeiro momento, lembra a Baixada Santista, especialmente Cubatão.

Ainda no controle de imigração do tribunal, um grande painel com uma foto do presidente Hugo Chávez saúda os visitantes. Há muitos funcionários nos guichês e postos de atendimento ao turismo, todos com a camisa vermelha eternizada pelo presidente, mas as filas são longas e demoradas.

No free-shop, o socialismo bolivariano tenta se diferenciar. Os lucros são remetidos a uma fundação para crianças carentes. No saguão do aeroporto, doleiros e motoristas de táxis irregulares tentam atrair os incautos. Há soldados da Guarda Bolivariana patrulhando o lobby, mas os malandros agem livremente.

O número de táxis falsos no Aeroporto de Maiquetía tem aumentado muito nos últimos anos. As vítimas entram nos carros, parecidos com os táxis oficiais do aeroporto, e sofrem sequestros-relâmpagos. O visitante é orientado a tomar o táxi oficial do aeroporto, diferenciado dos falsos por um pequeno selo amarelo na porta. Se o viajante está com pressa, o engano pode lhe custar caro.

A caminho de Caracas, se nota a onipresença de Chávez em outdoors ao longo da estrada. O herói da independência venezuelana, Simón Bolívar, é outra figura presente.

Na TV, só se fala das eleições presidenciais, que acontecem em outubro. O candidato da oposição, Henrique Capriles, discursa em um ato de campanha na cidade de Libertador, na Grande Caracas. Reclama da estatização do cimento e diz que, sob o controle do governo, o preço do cimento subiu três vezes.

No canal estatal VTV, uma mesa redonda debate o risco de a oposição pôr fim às missões assistencialistas do governo e às rádios e TVs comunitárias, caso Capriles vença.  A primeira impressão é a de que a Venezuela está dividida.