Obama e Cuba

Estadão

28 Setembro 2011 | 20h09

O governo cubano anunciou nesta quarta-feira a liberação para a compra e venda de automóveis na ilha. A medida, inédita desde a revolução de 1959, faz parte da série de reformas propostas por Raúl Castro em agosto do ano passado para tirar a economia do país do abismo. Entre elas também se destacam o corte de cerca de 500 mil funcionários do setor público, que poderão formar cooperativas privadas, ainda que pagando pesados impostos ao Estado.

Essas reformas sinalizam sem dúvida uma mudança, mesmo com a firme defesa feita por Raúl do caráter socialista do Estado e da Revolução, feita durante o VI Congresso do Partido Comunista, em abril. Avanços políticos, como realização de eleições, fim da censura e da perseguição a dissidentes, como também mostrou o Congresso,  ainda estão distantes do paranorama político cubano.

Nos EUA, que há 51 anos mantêm um embargo econômico ao regime, criticado pela maioria dos países latino-americanos, a questão cubana voltou a ser abordada hoje  pelo presidente Barack Obama. O democrata, que no início do mandato revertera uma proibição de Bush a viagens e ao envio de remessas de cubanos para a ilha, praticamente ignorou o país nos últimos dois anos.

Agora, a pouco mais de um ano das eleições, o presidente começa a se lembrar dos eleitores hispânicos, que em 2008, eles foram um componente importante de sua vitória. Ele teve o dobro de votos que seu concorrente, John McCain, levado em conta apenas o voto latino. Hoje, segundo o instituto Gallup, a aprovação de Obama nesse segmento da população, que já foi de 80%, é de 48%.

Na Flórida, um dos “swing states” (estados que podem definir a eleição no colégio eleitoral e cujos eleitores oscilam entre o candidato democrata e republicano), há muitos latinos de origem cubana, a grossa maioria identificada com o anticastrismo e com os republicanos.

Não foi a toa que logo após o anúncio da venda de automóveis na ilha, o presidente americano declarou que chegara a hora de algo acontecer em Cuba.  “Não há um verdadeiro espírito de transformação que nos anime a retirar o embargo”, disse. “Mas, se virmos sinais positivos, responderemos positivamente.”

Se Obama seguir a mesma lógica que adotou nas discussões sobre declaração de independência palestina na ONU, quando fez um discurso bem próximo de Israel, que agradou ao eleitorado judeu americano, o embargo continua longe de terminar.

 

ps: entre as férias e uma entorse no tornozelo que me afastou do trabalho, fiquei um tempo sem postar aqui. Aos poucos, vamos retornando à programação normal.