Raio-X: Eleições no Peru

Estadão

23 de maio de 2011 | 21h55

Daqui a pouco menos de duas semanas,  Ollanta Humala e Keiko Fujimori se enfrentam no segundo turno das eleições presidenciais peruanas. Segundo as últimas pesquisas, a candidata conservadora mantém uma pequena vantagem sobre o nacionalista. A campanha está bastante polarizada. Jornalistas foram ameaçados, demitidos e até agredidos.  No primeiro turno,  o nacionalista venceu com uma votação maior no sul do país. Keiko saiu-se bem no norte e em Lima, que concentra dois terços do eleitorado.

De acordo com analistas, ambos têm índices rejeição muito altos, e a disputa deve ser voto a voto. Keiko é filha do ex-presidente Alberto Fujimori, que governou o país entre 1990 e 2000 e cumpre 25 anos de prisão por crimes contra a humanidade e corrupção. Humala, derrotado em 2006, moderou seu discurso nacionalista e afastou-se do presidente venezuelano, Hugo Chávez, mas é visto com desconfiança por muitos no país. Parte do setor produtivo teme que ele possa colocar em risco o alto crescimento econômico dos últimos anos.  Diante disso, a Nuestra America traz um raio-X dessa eleição, que promete ser uma das mais disputadas dos últimos anos na América Latina:

Keiko Sofía Fujimori Higuchi:

Keiko participa de corpo a corpo em Chiclayo
Karel Navarro/AP – 19/05/2011


Perfil: Graduada em Administração de Empresas pela Universidade de Boston, nos EUA, tem 35 anos ( o aniversário dela é na quarta, dia 25).   Tornou-se primeira-dama do Peru em 1994, após o divórcio de seus pais. Após a renúncia de Fujimori ao terceiro mandato, no final do ano 2000, voltou-se para trabalhos de caridade. Em 2006, elegeu-se  deputada federal pela capital, Lima.

Partido/Coalizão: Fuerza 2011: Criado em janeiro de 2008, reúne egressos do período do fujimorismo, na época dividido em três facções. Tem uma plataforma liberal, que une a diminuição de gastos com o combate a pobreza, e a insegurança pública.

Votação no primeiro turno:23,6%

Última pesquisa: 51,4% (Ipsos Apoyo) e  53,7% (CPI)

Principais apoios: Empresariado (setor mineiro), cúpula da Igreja, parte da classe média-alta limenha e os ex-candidatos Pedro Pablo Kuczynski, terceiro colocado no primeiro turno,  e Luís Castañeda, o quinto.

Geografia do voto: Ganhou em sete Estados no primeiro turno e lidera com folga as pesquisas na capital.

Propostas: Fortalecimento do investimento no país, na infraestrutura, agricultura familiar e turismo. Melhora na segurança pública com aumento da inclusão social e mecanismos de coerção. Redução da pobreza com seguro saúde universal e investimento em educação.

Ollanta Moises Humala Tasso:

Humala participa de passeio ciclístico em Lima
Foto: Paolo Aguilar/Efe

Perfil: Militar reformado, tem 48 anos. É mestre em Ciências Políticas pela Pontifícia Universidade Católica do Peru. Entrou para o Exército em 1982. Em 1991, combateu guerrilheiros do grupo de inspiração maoísta Sendero Luminoso. Durante a crise que antecedeu a renúncia de Fujimori, liderou uma sublevação militar frustrada contra ele. Foi adido-militar do Peru na França e na Coreia do Sul. Em 2006, perdeu a eleição no segundo turno para o presidente Alan Garcia.

Partido/Coalizão: Gana Peru/Partido Nacionalista Peruano: Criado após o levante de Locumba, liderado por Humala e seu irmão em 2000, diz almejar um “nacionalismo integrador”, com um modelo de desenvolvimento que atenda ao Estado plurinacional peruano.

Votação no primeiro turno: 31,7%

Última pesquisa: 48,6% (Ipsos/Apoyo) e 46,3% (CPI)

Principais apoios: Mario Vargas Llosa,  prêmio Nobel de Literatura em 2010, comunidades eclesiais de base, pequeno empresariado e sindicatos e o ex-presidente Alejandro Toledo, quarto colocado no primeiro turno

Geografia do voto: Venceu em 14 Estados no primeiro turno, a maior parte no sul do Peru. Tem alto grau de rejeição em Lima.

Propostas: Fortalecimento do mercado interno, compromisso com a estabilidade macroeconômica,  e investimento em infraestrutura.  Estímulo à identidade plurinacional peruana e reformas dos poderes públicos. No segundo turno, o candidato se comprometeu a não alterar a Constituição para manter-se no poder.

Leia mais sobre os candidatos nos sites de Keiko e Humala. Aqui estão as contas no twitter dele e dela. Entre os jornais peruanos, o La Republica está fazendo uma cobertura mais anti-fujimorista, e o El Comercio, anti-Humala.


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