10 momentos históricos nas relações entre EUA e Coreia do Norte
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10 momentos históricos nas relações entre EUA e Coreia do Norte

Relações entre os dois países tiveram altos e baixos desde a guerra nos anos 50

Redação Internacional

12 Junho 2018 | 05h00

1 – Guerra da Coreia

Os dois países lutaram em lados opostos na guerra que durou três anos no início dos anos 50 e matou milhões de pessoas, incluindo 36 mil soldados americanos. A guerra começou em junho de 1950 quando tropas norte-coreanas atravessaram a fronteira e lançaram um ataque-surpresa. Um já enfraquecido Exército sul-coreano quase foi expulso da península antes de as forças da ONU lideradas pelos EUA entrar no conflito e expulsar a Coreia do Norte. O Exército chinês, mais tarde, interveio fazendo recuar as forças da ONU. A luta terminou com um armistício em julho de 1953. O armistício está em vigor até hoje e nunca foi substituído por um acordo de paz, deixando a península tecnicamente em estado de guerra. Os EUA ainda mantém 28,5 mil soldados na Coreia do Sul.


2 – Navio espião capturado

Em janeiro de 1968, embarcações norte-coreanas atacaram e capturaram o USS Pueblo no norte da Costa Leste. Um militar dos EUA foi morto e 82, capturados. Eles foram mantidos pela Coreia do Norte por 11 meses, e nesse tempo foram espancados e interrogados. Só foram soltos após um negociador americano assinar um termo admitindo que o navio americano entrou ilegalmente em águas territoriais do Norte. A Coreia do Norte colocou o USS Pueblo em exposição em Pyongyang, fazendo dele o único navio dos EUA mantido por captores estangeiros.

Soldados americanos são atacos por norte-coreanos após tentativa de podar árvores. Foto: Yonhap/AP

 

3- Incidente do machado

No verão de 1976, dois soldados americanos foram atacados e mortos a machadadas por soldados norte-coreanos durante um esforço dos americanos em aparar uma árvore de álamo na Zona Desmilitarizada (que separa as duas Coreias) que atrapalhava a visão de quem estava do lado sul. Os EUA responderam sobrevoando a Zona Desmilitarizada com bombardeiros B-52 em uma tentativa de intimidar a Coreia do Norte. As animosidades só se desfizeram depois que o então líder norte-coreano, Kim Il-sung, avô de Kim Jong-un, expressou arrependimento pelas mortes. O incidende é o mais violento na Zona Desmilitarizada, onde estão espalhados minas e cercas de arame farpado.

4- Carter visita o Norte

Em junho de 1994, o ex-presidente americano Jimmy Carter viajou para a Coreia do Norte através da Zona Desmilitarizada e teve duas rodadas de conversas com Kim Il-Sung em um esforço para resolver os impasses sobre o programa nuclear. Após retornar para o Sul, Carter levou uma oferta de Kim para um reunião entre as duas Coreias e o presidente sul-coreano Kim Young-sam aceitou. O que poderia ter sido a primeira cúpula entre as Coreias não chegou a ocorrer porque Kim morreu de um ataque do coração em julho de 1994. Seu filho, Kim Jong-il, chegou ao poder e teve uma reunião com o então presidente sul-coreano Kim Dae-jung em 2000.

5- Esboço acordado

Em outubro de 1994, os Estados Unidos assinaram um acordo de desarmamento nuclear com a Coreia do Norte, pondo fim a meses de temor de guerra após a Coreia do Norte ameaçar se retirar do Tratado de Não Proliferação Nuclear e converter seu estoque de combustível nuclear em bombas. Sob o pacto, o Norte congelou suas atividades atômicas e concordo em eventualmente desmantelar suas instalações nucleares em troca de poder construir dois reatores nucleares de água leve para a geração de eletricidade. O acordo foi desfeito em 2002, quando os EUA acusaram a Coreia do Norte de secretamente conduzir um programa nuclear utilizando urânio enriquecido.

6-Vice-marechal visita os EUA

Em outubro de 2000, o braço direito de Kim Jong-il e vice-marechal, Jo Myong Rok, viajou aos EUA, se tornando a mais alta autoridade norte-coreana a fazer a visita oficial desde o fim da Guerra da Coreia. Jo se encontrou com o então presidente Bill Clinton e entregou uma carta pessoal de Kim. A visita ocorreu enquanto os dois países buscavam maneiras para melhorar as relações entre eles.

Madeleine Albright é recebida pelo líder norte-coreano Kim Jong-il em Pyongyang. Foto: REUTERS

7- Albright viaja para o Norte

Algumas semanas após a visita do vice-marechal, a secretária de Estado Madeleine Albright prestou uma visita recíproca a Pyongyang em uma tentativa de preparar uma visita de Clinton à Coreia do Norte. Ela se encontrou com Kim Jong-il e os dois assistiram juntos ao espetáculo Arirang, que incluiu uma exibição em um mosaico gigante de um foguete no céu. O tom reconciliatório entre os dois países sofreu um revés após George W. Bush assumir o cargo em janeiro de 2001 com uma dura política para o Norte. Clinton eventualmente viajou para a Coreia do Norte já como ex-presidente em 2009 para negociar a libertação de duas jornalistas americanas mantidas pelo regime.

8- Diálogo entre seis nações

Os EUA se engajaram novamente em uma mesa de negociações com a Coreia do Norte em 2003, dessa vez sob a estrutura de negociações entre seis países que também envolvia a Coreia do Sul, China, Rússia e Japão. As idas e vindas das conversações duraram até 2008, tempo em que a Coreia do Norte freou suas atividades nucleares de novo e destruiu alguns elementos importantes do seu complexo nuclear em troca de benefícios econômicos, energéticos e de segurança. Mas as conversações desandaram em meio às tentativas de verificação dos passos de desarmamento. A Coreia do Norte se retirou oficialmente das negociações em 2009 com teste de lançamento de foguete de longo alcance.

9- Escaladada de testes

Após chegar ao poder com a morte de seu pai, em 2011, Kim Jong-un começou a conduzir atípicos e vários testes com armas como parte de seu objetivo de construir mísseis com capacidade de atingir o território americano. Em 2017, especialmente, o mundo temeu uma guerra na Península Coreana após a Coreia do Norte conduzir seu sexto e mais poderoso teste nuclear e três lançamentos de mísseis balísticos intercontinentais. Kim e Trump trocaram insultos pessoais e ameaças de guerra.

10- Nova Calmaria

Kim mudou de tática em 2018, enviando uma delegação aos Jogos de Inverno na Coreia do Sul e mantendo uma reunião com o presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in. Kim se ofereceu para negociar seu programa nuclear se a ele fossem oferecidas garantias de segurança confiáveis dos EUA. Há um profundo ceticismo sobre se Kim vai realmente abrir mão de suas ogivas, mas Trump eventualmente concordou em encontrá-lo. O mais alto tenente do Norte e ex-chefe de inteligência Kim Yong-chol viajou aos EUA com uma carta pessoal a Trump após o secretário de Estado Mike Pompeo visitar Pyongyang e se encontrar com o líder norte-coreano. / W. POST

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